Cobertura vacinal contra sarampo atinge apenas 75% em São Paulo
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Vinte e três dos 24 casos de sarampo confirmados nesta temporada no Brasil se concentram na Grande São Paulo, revelando uma importante cadeia de transmissão que atinge principalmente crianças. A situação expõe o risco de novos surtos enquanto a cobertura vacinal permanecer abaixo do índice considerado ideal para interromper a doença.
Os casos na capital paulista levaram a sete ocorrências na Vila Medeiros e duas na Vila Maria, bairros próximos na zona norte, com uma escola de educação infantil identificada como principal cenário de contágio. Pelo menos um dos dois casos de Guarulhos também está relacionado a esse grupo. Crianças com menos de um ano, que não recebem imunização contra o sarampo, são a maioria entre os infectados e hospitalizados.
Cadeia de transmissão na capital
Autoridades de saúde confirmaram que a transmissão se dá apenas entre aqueles que não estão imunizados, geralmente por não terem tomado uma ou ambas as doses da vacina. A prefeitura da capital paulista havia registrado um caso importado da Bolívia em fevereiro e outro da Guatemala em março, podendo estar relacionados à atual cadeia. O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explicou que “O ciclo de incubação e transmissão da doença é de cerca de 20 dias”.
Risco para os não vacinados
A cobertura vacinal na capital paulista está em torno de 75%, muito aquém dos 95% necessários para evitar a transmissão do vírus. Uma pessoa completamente imunizada não se torna um transmissor, mas para quem não tem o ciclo completo, o risco é real. “Infelizmente é esperado. Chegam todo dia ao país milhares de pessoas, a trabalho ou a turismo, além de brasileiros vindos do exterior”, pontuou Kfouri, acrescentando que os países vizinhos têm enfrentado surtos, o que influencia a situação no Brasil.
Estratégias de controle da doença
Para Kfouri, a homogeneidade da cobertura vacinal é crucial. Um bairro ou comunidade com índices baixos torna-se um bolsão vulnerável, suscetível a novos surtos. A estratégia de reforço vacinal indiscriminado é eficaz, atingindo quem não recebeu alguma das doses ou quem não foi efetivamente protegido. A margem de não proteção da vacina para sarampo é estimada em 5%, mas se aproxima de zero com a aplicação de uma terceira dose.
O papel da vigilância epidemiológica
A vigilância epidemiológica é um sistema contínuo de coleta, análise e interpretação de dados sobre saúde pública, utilizado para planejar, implementar e avaliar ações. Seu objetivo é detectar rapidamente eventos de saúde, como surtos de doenças infecciosas, e fornecer informações para que as autoridades possam tomar medidas preventivas e de controle. Em casos de sarampo, isso inclui identificar os doentes, isolá-los para evitar novas contaminações e vacinar as pessoas que tiveram contato com eles, além de monitorar a circulação do vírus na população.
Segundo o infectologista, “Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância, onde se deve estar atento, isolar e vacinar os contatos”. Ele informou que as equipes de saúde estão treinadas para reconhecer os sintomas, os testes estão disponíveis na rede e as ações de vigilância têm ocorrido em tempo adequado.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-08/rede-de-vigilancia-e-essencial-para-evitar-propagacao-de-sarampo-em-sp
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