MJ detalha operação para desarticular ataques a Brasília

© Isaac Amorim/MJSP.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) não solicitou mandados de prisão contra os oito suspeitos investigados na Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira (4). A decisão inicial da investigação foi focar no cumprimento de busca e apreensão. Os indivíduos, que planejavam atos violentos na capital federal, têm entre 19 e 31 anos, sem antecedentes criminais.

O coordenador de inteligência da PCDF, delegado Maurílio Coelho, informou que a apuração optou por não pedir a prisão dos investigados. Eles atuam em diferentes áreas profissionais ou estão desempregados, e não se conhecem pessoalmente, apenas pela internet. A maioria dos suspeitos tem entre 19 e 25 anos.

Operação em cinco estados

A Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram simultaneamente em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, destacou que as polícias desses estados tiveram participação ativa monitorando os alvos e localizando os endereços.

Entre os materiais apreendidos, foram encontrados manuais para fabricar explosivos, além de mapas da região central de Brasília, de ministérios e a planta baixa do Palácio do Planalto. Essas localidades eram classificadas pelos investigados como alvos primários para os atos violentos planejados.

O laboratório contra crimes digitais

A investigação teve início na primeira quinzena de junho, após um relatório produzido pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Este setor especializado tem como função identificar e analisar ameaças e crimes que se manifestam no ambiente digital. Ele atua monitorando plataformas e redes sociais para gerar relatórios de inteligência, que servem de base para que as forças de segurança deflagrem operações e previnam ações criminosas.

O Ciberlab monitorou conversas em grupos abertos da plataforma digital de mensageria Telegram, onde o grupo discutia o planejamento de ataques. O diretor Anchieta Nery explicou que não se tratava apenas de opiniões, mas sim do planejamento de atos severos de violência, o que justificou uma atuação rápida e integrada para evitar possíveis sinistros.

Combate ao ódio e prevenção de ataques

O grupo suspeito planejava invadir prédios públicos no centro da capital federal, como os da Esplanada dos Ministérios e do Supremo Tribunal Federal, durante o período eleitoral em outubro. Também havia discussões sobre um atentado a bomba em debates eleitorais, sem menção direta a autoridades nas mensagens. O ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Wellington César Lima e Silva, destacou o papel essencial do Ciberlab na produção de inteligência e na promoção da cooperação interfederativa para compartilhar informações estratégicas.

A Polícia Civil do Distrito Federal enfatizou que o objetivo primordial foi identificar precocemente processos de radicalização e intervir antes da consolidação dos episódios violentos. O foco era proteger cidadãos, autoridades, e o patrimônio público e particular de Brasília e do Distrito Federal. Além disso, as conversas abertas nos grupos também eram utilizadas pelos suspeitos para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, afirmou que o combate a esse tipo de ódio nas redes sociais é um dos maiores desafios do país. Ela ressaltou a Estratégia Nacional Mulher Segura, que fortalece a atuação integrada das polícias.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/mj-detalha-operacao-para-desarticular-ataques-brasilia

Redação Extra News Goiás
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