Conflito no Oriente Médio eleva dólar e petróleo; Ibovespa fecha em queda no Brasil
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A instabilidade geopolítica no Oriente Médio desencadeou uma onda de aversão ao risco nos mercados financeiros mundiais nesta sexta-feira (17), resultando na valorização do dólar frente ao real, na expressiva disparada do petróleo e na interrupção da sequência de ganhos do Ibovespa. O nervosismo dos investidores foi agravado por um sentimento de cautela em relação às empresas de inteligência artificial, contribuindo para um cenário de volatilidade que marcou o encerramento da semana.
Os efeitos da intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã foram o principal motor dessa movimentação, direcionando capitais para investimentos considerados mais seguros globalmente. Enquanto a busca por proteção elevava a cotação da moeda americana, os temores de interrupções no fornecimento de petróleo catapultaram os preços da commodity, gerando impactos em cadeias produtivas e expectativas inflacionárias em todo o planeta.
Dólar em alta: Segurança em tempos de crise
Em uma sessão dominada pela fuga de risco, o dólar acompanhou o fortalecimento da moeda estadunidense em relação às divisas de outras economias emergentes. A procura por ativos de menor volatilidade foi intensificada pelo avanço dos confrontos no Oriente Médio, tornando o dólar um refúgio para os investidores.
Apesar da pressão externa, o real brasileiro demonstrou certa resiliência comparado a outras moedas de países em desenvolvimento. O encarecimento do petróleo, principal commodity de exportação brasileira, mitigou parte da pressão cambial ao melhorar as perspectivas para os termos de troca do país. A moeda norte-americana atingiu R$ 5,133 por volta das 10h30, mas desacelerou no período da tarde, fechando o dia cotada a R$ 5,111, uma alta de 0,24%. Na semana, a variação foi insignificante, e em julho, o dólar acumulou uma desvalorização de 1% frente ao real, totalizando 6,88% em 2026.
Petróleo dispara com temores de interrupção no fornecimento
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã impulsionou significativamente os contratos futuros de petróleo, com as cotações internacionais registrando forte valorização. A preocupação com a segurança do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, ponto crucial para o escoamento global de petróleo, foi um fator determinante para essa alta.
O barril do tipo Brent, referência internacional e para a Petrobras, disparou 4,59%, encerrando o pregão a US$ 88,10. O petróleo WTI, negociado no Texas, também registrou um salto notável de 4,48%, alcançando US$ 82,49. Ambos os tipos de petróleo acumulam valorização próxima de 16% na semana, refletindo o temor de que a continuidade do conflito possa provocar novos choques de oferta. Essa perspectiva mantém elevada a pressão sobre os preços da energia, com potenciais desdobramentos sobre a inflação global e as expectativas para as políticas monetárias das principais economias.
Ibovespa encerra sequência de ganhos pressionada por fatores internos e externos
No mercado de ações brasileiro, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou um leve recuo de 0,06% nesta sexta-feira, fechando aos 173.714,08 pontos. Esse resultado confirmou a primeira perda semanal do índice em um mês, encerrando uma sequência de três semanas consecutivas de alta.
Apesar de ter operado em território positivo em parte do pregão, o Ibovespa perdeu fôlego à medida que os juros futuros avançaram e as ações de setores ligados ao consumo começaram a apresentar as maiores quedas. O desempenho positivo da Petrobras, beneficiada pela expressiva valorização do petróleo, ajudou a limitar as perdas do índice. No entanto, o recuo em bloco das ações de grandes bancos, juntamente com baixas significativas em empresas de varejo, construção civil e educação, neutralizou esse efeito. Além da turbulência geopolítica, investidores também monitoraram a desaceleração da atividade econômica brasileira, medida pelo IBC-Br de maio, e os impactos do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, embora este último tenha ficado em segundo plano.
O cenário internacional contribuiu para a pressão sobre o mercado de ações nacional. A queda das ações de fabricantes de chips e de outras empresas vinculadas à inteligência artificial em bolsas globais intensificou a migração de capital para ativos de menor risco, um movimento que repercutiu também no Ibovespa.
Panorama final do mercado financeiro
Ao final do dia, o mercado financeiro refletiu claramente as pressões externas e internas. O dólar encerrou a R$ 5,111, com uma alta de 0,24%. O Ibovespa fechou em leve queda de 0,06%, marcando 173.714,08 pontos. Já os preços do petróleo tiveram forte valorização, com o Brent a US$ 88,10 (alta de 4,59%) e o WTI a US$ 82,49 (alta de 4,48%), evidenciando a crescente preocupação com a estabilidade do fornecimento global.
Com informações da Reuters
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/dolar-sobe-para-r-511-e-bolsa-fica-estavel-apesar-de-tensao-global

