Jornalista é Hostilizada na Câmara dos Deputados e Entidades Repudiam Violência
© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Entidades representativas do jornalismo manifestaram repúdio a um episódio de violência sofrido pela jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, nas dependências da Câmara dos Deputados, em Brasília. O incidente ocorreu na terça-feira (23), no Salão Verde, quando a profissional foi cercada e intimidada por um grupo de aproximadamente 20 assessores de parlamentares.
A agressão ocorreu após Manuela questionar parlamentares do PL sobre a instalação de outdoors com imagens de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no Distrito Federal. Durante a cobertura de uma entrevista de parlamentares da oposição, a jornalista relatou ter sido hostilizada com celulares próximos ao rosto e gritos em tom de intimidação por apoiadores dos políticos.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), o Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e a Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ assinaram uma nota conjunta classificando o episódio como “inaceitável e absurdo”, denunciando a “grave violência” e “coação” contra a profissional no exercício de sua função.
As entidades apontam que a violência de gênero, caracterizada pelo cerco agressivo, tem como objetivo silenciar questionamentos e fragilizar a presença feminina nos espaços de poder. A nota ressalta que “a liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e não pode ser cerceada por métodos de coação física e psicológica praticados por servidores públicos pagos com o dinheiro da sociedade”.
Os representantes da categoria também criticaram a ausência de intervenção da Polícia Legislativa durante o incidente. Exigem da presidência da Câmara dos Deputados a imediata e rigorosa apuração do caso, com a “responsabilização administrativa e legal de todos os servidores e parlamentares envolvidos na violência contra a jornalista”, e solicitam medidas de segurança para garantir o livre exercício da profissão nas dependências do Congresso Nacional. Uma representação formal com imagens e vídeos será encaminhada à presidência da Câmara para auxiliar na identificação dos agressores.
Apesar do ocorrido, Manuela Borges, que já foi alvo de ofensas por Jair Bolsonaro em 2014, reafirmou sua intenção de continuar a cobertura jornalística na Câmara dos Deputados. Em entrevista à Agência Brasil, a jornalista declarou: “Nosso papel é o de fazer perguntas. Doa a quem doer. Não podemos sofrer violência por causa disso”.
Até o momento, o Partido Liberal e a presidência da Câmara não se manifestaram sobre o episódio. A Agência Brasil informou que o espaço permanece aberto para suas manifestações.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/sindicatos-repudiam-violencia-contra-jornalista-na-camara
