Juros altos travam queda da Dívida Pública Federal em janeiro
© Marcello Casal JrAgência Brasil
A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um leve aumento em janeiro, atingindo R$ 8,641 trilhões, um acréscimo de 0,07% em relação aos R$ 8,635 trilhões de dezembro. De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional, esse crescimento ocorreu mesmo diante de um volume significativo de vencimentos de papéis prefixados. Em agosto do ano passado, o indicador já havia ultrapassado a marca de R$ 8 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também apresentou um avanço, de 0,26%, alcançando R$ 8,33 trilhões. Em janeiro, o Tesouro Nacional resgatou R$ 67,02 bilhões em títulos a mais do que emitiu, principalmente em papéis indexados à Taxa Selic. No entanto, esse resgate foi compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros, que pressionam o endividamento do governo devido à Selic elevada.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe), por outro lado, apresentou uma queda de 4,75%, totalizando R$ 310,59 bilhões. A variação foi influenciada, principalmente, pela desvalorização do dólar no período.
O “colchão” da dívida pública, reserva financeira utilizada em momentos de crise, registrou o segundo mês consecutivo de queda, passando para R$ 1,085 trilhão. Atualmente, essa reserva cobre 6,77 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, o governo deverá honrar R$ 1,424 trilhão em títulos federais.
Houve alteração na composição da DPF, com aumento da participação de títulos indexados à Selic (de 48,25% para 49,42%) e de títulos corrigidos pela inflação (de 25,93% para 26,35%), e uma diminuição dos títulos prefixados (de 22,05% para 20,65%) e dos títulos vinculados ao câmbio (de 3,76% para 3,58%). “Em relação aos papéis vinculados à Selic, esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa dos altos níveis dos juros básicos da economia”, informou o Tesouro.
O prazo médio da DPF passou de 4 para 4,03 anos, indicando o tempo médio que o governo leva para refinanciar a dívida.
A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna é formada por instituições financeiras (31,92%), fundos de pensão (22,66%), fundos de investimentos (21,36%), não-residentes (10,69%) e demais grupos (13,4%). “Em meio à diminuição das tensões no mercado financeiro em janeiro, a participação dos não residentes (estrangeiros) subiu em relação a dezembro, quando estava em 10,35%.”
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/divida-publica-fica-praticamente-estavel-mas-supera-r-86-trilhoes
