CPI Questiona Meta sobre Lucros com Crimes Digitais
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal realizou, nesta terça-feira, questionamentos à Meta, empresa detentora do WhatsApp, Facebook e Instagram, sobre os lucros que a multinacional estaria obtendo com a prática de crimes em suas plataformas. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que as receitas bilionárias geradas por anúncios de golpes e fraudes na internet poderiam incentivar a manutenção desses conteúdos.
Durante a audiência, a diretora de políticas econômicas para América Latina da Meta, Yana Dumaresq Sobral Alves, negou que a empresa tenha interesses financeiros em anúncios fraudulentos, afirmando que a companhia adota medidas para detectar e bloquear campanhas fraudulentas.
O senador Vieira argumenta que a criptografia de ponta a ponta, utilizada nas plataformas da Meta, dificulta o acesso da Justiça a conteúdos criminosos, o que reduziria o risco de a empresa arcar com indenizações. Segundo o senador, essa postura seria justificada pelo fato de a Meta ser um “megamonopólio de comunicação” sem concorrentes relevantes, o que demandaria regulamentação legal.
O relator questionou a representante da Meta sobre um artigo da agência Reuters, publicado em dezembro de 2025, que indicava que documentos internos da empresa orientavam seus gestores a evitar regulamentações estatais que visam derrubar anúncios fraudulentos. Yara Alves negou ter conhecimento de tais documentos.
O senador Vieira também questionou se a Meta possuía capacidade de identificar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual infantil em suas redes sociais, citando um relatório de 2020 da ONG Human Trafficking Institute que apontava o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar e recrutar crianças. A diretora da Meta não soube responder com precisão se a empresa pode identificar conteúdos de pornografia infantil, mas garantiu que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade da empresa.
Diante da falta de respostas precisas a algumas questões, como os limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer determinados conteúdos políticos, o relator da CPI solicitou a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/cpi-questiona-meta-sobre-lucros-da-bigtech-com-o-crime-na-internet
