CPI do Crime Organizado convoca Vorcaro, Campos Neto e Guedes para depor sobre fraudes no Banco Master

Caso Master: CPI do Crime convoca Vorcaro, Campos Neto e Paulo Guedes

© Saulo Cruz/Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou, em sessão realizada nesta quarta-feira, a convocação de figuras de destaque como Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central (BC), e Paulo Guedes, ex-ministro da Fazenda. A convocação implica a obrigatoriedade de comparecimento, sob pena de condução coercitiva.

Além das convocações, a CPI deliberou pela quebra dos sigilos fiscais e bancários do Banco Master e de seus sócios, ampliando o escopo da investigação para outros dirigentes da instituição financeira. A medida abrange também a Reag Investimentos, liquidada pelo BC em janeiro sob suspeita de envolvimento em fraudes do Banco Master, estimadas entre R$ 17 e R$ 50 bilhões.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), ressaltou que a Comissão inicia uma nova etapa focada em esquemas de alta esfera, afirmando: “Precisamos parar de concentrar o combate em ações pontuais nas periferias e levar nossas investigações também para os esquemas do andar de cima”.

Ainda no âmbito da investigação sobre o Banco Master, a CPI aprovou convites – cujo comparecimento é opcional – aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, assim como ao ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.

Ex-ministros da Cidadania do governo Bolsonaro, João Roma e Ronaldo Vieira Remo, também foram convocados a depor, devido a suspeitas de ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) destacou a proximidade entre João Roma e Ronaldo Bento, este último diretor do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central.

A convocação de Roberto Campos Neto está relacionada à alegação de que a desregulação do mercado financeiro durante sua gestão no BC teria favorecido fraudes como a do Banco Master. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) pontuou que a autorização para Vorcaro ingressar no sistema financeiro ocorreu durante a presidência de Campos Neto no Banco Central. Já o senador Jaques Wagner (PT-BA) mencionou resoluções aprovadas pelo BC que promoveram a desregulamentação do sistema financeiro.

A oposição, por sua vez, criticou a convocação de Campos Neto, alegando motivação político-eleitoral. O senador Marco Rogério (PL-RO) defendeu Campos Neto, afirmando que ele foi “um Presidente do Banco Central respeitado pelo Brasil e pela comunidade internacional”.

A convocação de Paulo Guedes, ex-ministro da Fazenda, visa investigar se as políticas de desregulação do mercado financeiro entre 2019 e 2022 facilitaram a lavagem de dinheiro. Randolfe Rodrigues argumentou que “foram implementadas políticas que, sob o pretexto de modernizar e aumentar a competitividade, fragilizaram os mecanismos de controle do sistema financeiro”. A oposição também se manifestou contrária à convocação de Guedes, denunciando “uso político-eleitoral” da CPI. O senador Sérgio Moro (União-PR) questionou a relevância da convocação, afirmando que não há referências ao envolvimento de Guedes com o Banco Master.

Por outro lado, a CPI rejeitou a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis, apontada como ex-funcionária do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e do ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/caso-master-cpi-do-crime-convoca-vorcaro-campos-neto-e-paulo-guedes

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