CVM é cobrada no Senado por suposta omissão em fraude bilionária do Banco Master
© Saulo Cruz/Agência Senado
A Comissão do Banco Master no Senado Federal questionou o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, sobre uma possível omissão da autarquia na fiscalização do Banco Master, acusado de fraude bilionária no mercado de capitais.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) lembrou outros casos de fraudes, como o das Lojas Americanas, onde, segundo ele, a CVM também teria falhado. “Estamos falando de milhares, eu diria, de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa. E não dá pra dizer que a CVM não foi omissa”, declarou Braga. O senador insinuou que a CVM pode estar envolvida em algo além de omissão, sugerindo que o Banco Master teria usado dinheiro de clientes para cobrir suas próprias despesas.
João Accioly, que está na CVM desde maio de 2022, defendeu-se, alegando que a possível omissão foi na divulgação das ações tomadas para combater as fraudes. Ele destacou que a “Compliance Zero”, operação da Polícia Federal que investigou o Banco Master, foi deflagrada após a CVM comunicar ao Ministério Público Federal (MPF) indícios de desvio de quase R$ 500 milhões para clínicas de laranjas. Accioly afirmou que a CVM abriu 200 processos, 24 deles relacionados à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). “Houve uma omissão em divulgar o que foi feito. A Compliance Zero é feita depois que a CVM comunica ao MPF, em junho de 2025, os indícios de aporte de quase R$ 500 milhões [do Banco Master] em clínicas de laranjas. A CVM detectou em sua supervisão”, afirmou Accioly.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) questionou onde estaria a falha no sistema de proteção do mercado financeiro, já que a fraude ocorreu mesmo com a atuação da CVM. Accioly respondeu que é prematuro apontar as falhas e que a CVM criou um grupo de trabalho para identificar os erros da instituição. “No relatório [do GT], vai ter uma visão introspectiva para aprender o que funcionou bem e o que não funcionou bem para aprimorar. Pode ter havido erro. Certamente, não é impossível. O que aparece primeiro são os vários acertos, mas os erros vão aparecer também”, disse o presidente interino.
A CVM, autarquia federal ligada ao Ministério da Fazenda, é responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais, protegendo os investidores de fraudes. Atualmente, o colegiado da CVM está com três cadeiras de diretor vagas, aguardando sabatina no Senado.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/senadores-cobram-cvm-por-suposta-omissao-no-caso-do-banco-master
