CPMI do INSS: Presidente vai ao STF para prorrogar investigação e critica “blindagem” a Vorcaro

CPMI do INSS vai pedir prorrogação dos trabalhos por 60 dias

© Carlos Moura/Agência Senado

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), planeja recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir uma prorrogação de, no mínimo, 60 dias para os trabalhos do colegiado. Segundo o senador, um pedido formal já foi protocolado no Senado, aguardando a decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Diante da ausência de resposta, Viana considera acionar o STF, visando garantir a continuidade das investigações iniciadas em 20 de agosto. Ele afirma ter coletado as assinaturas necessárias para a prorrogação, cujo prazo final está previsto para 28 de março, ressaltando que, conforme a legislação, a CPMI tem o direito de estender suas atividades por mais 60 dias. “Como não recebi uma resposta formal do presidente do Senado com relação à prorrogação da CPMI do INSS, eu, juntamente com outros parlamentares, recorreremos ao Supremo Tribunal Federal para que a CPMI seja prorrogada no prazo estipulado das assinaturas que nós temos, já que por legislação nós temos o direito de que ela permaneça por pelo menos mais 60 dias”, afirmou o senador.

Segundo Viana, a extensão do prazo é crucial para aprofundar as investigações em curso. Uma reunião deliberativa da comissão está agendada para discutir os próximos passos, incluindo a definição dos depoimentos a serem realizados. “Na quinta-feira, nós faremos uma reunião deliberativa em que eu vou trazer os requerimentos, especialmente de nomes que nós já colocamos, de bancos, porque essas pessoas têm de vir…”, informou o senador. Ele destacou a urgência em deliberar sobre quebras de sigilo e convocações, diante do possível encerramento iminente dos trabalhos: “De certa forma, é a nossa última grande possibilidade de deliberar quebras de sigilo e convocações, porque se nós não conseguirmos prorrogar a CPMI, nosso prazo terá ficado muito curto em relação aos documentos que nós estamos solicitando”, informou.

O senador também mencionou que ainda aguarda o recebimento de informações decorrentes das quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A Justiça já havia determinado a entrega dos dados à CPMI, após uma disputa sobre a custódia dos mesmos.

Viana também criticou a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que concedeu habeas corpus a Vorcaro, permitindo que ele não fosse obrigado a comparecer à CPMI. “O país olha estarrecido o que está acontecendo com essa interferência constante no trabalho do parlamento e de uma CPMI. Já pedi uma agenda com o ministro André Mendonça, quero pessoalmente levar a ele os nossos argumentos. Entendo a posição dele, mas ela tem nos prejudicado e espero que a gente consiga reverter isso no menor prazo possível”, argumentou.

Vorcaro, que cumpre prisão domiciliar, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre irregularidades envolvendo empréstimos consignados e prejuízos causados a aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS. O Banco Master mantinha um acordo de cooperação técnica com o INSS para a oferta de crédito consignado. O senador também criticou a proposta da defesa de Vorcaro de que o depoimento fosse prestado em São Paulo, com apenas alguns integrantes da CPMI. Para Viana, o banqueiro tem recebido uma “blindagem absurda”. “Eu não considero essa hipótese. Entendo que toda e qualquer pessoa tem a obrigação de vir a essa comissão como outras já vieram. É uma blindagem absurda para que Vorcaro não responda pelos crimes que está envolvido. Temos visto uma série de tentativa de se fazer com que o senhor Vorcaro receba uma proteção sobre o que aconteceu”, afirmou.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/cpmi-do-inss-vai-pedir-prorrogacao-dos-trabalhos-por-60-dias

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