Toxicidade de pesticidas aumenta globalmente e Brasil se destaca negativamente, aponta estudo
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Um estudo recente publicado na revista Science revela um aumento global na toxicidade de pesticidas entre 2013 e 2019, contrariando a meta estabelecida pela ONU para a redução de riscos até 2030. A pesquisa, conduzida por cientistas alemães, analisou 625 pesticidas em 201 países, utilizando o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que combina volume e grau de toxicidade.
Os resultados apontam que seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis, incluindo artrópodes terrestres, organismos do solo, peixes, invertebrados aquáticos, polinizadores e plantas terrestres. Apenas plantas aquáticas e vertebrados terrestres (onde se incluem os humanos) apresentaram diminuição no TAT.
O Brasil se destaca no estudo como um dos países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia, respondendo, junto com China, Estados Unidos e Índia, por grande parte da toxicidade total aplicada globalmente. A pesquisa associa a relevância brasileira ao agronegócio, com culturas como soja, algodão e milho exercendo um impacto significativo.
O levantamento revela que cerca de 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada, com inseticidas como piretroides e organofosforados impactando invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas afetam polinizadores, enquanto herbicidas como acetoclor, paraquat e glifosato estão associados a riscos ambientais e à saúde humana.
A análise da trajetória de 65 países mostra que apenas o Chile está no caminho para atingir a meta da ONU. China, Japão e Venezuela necessitam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos, enquanto Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta. O estudo conclui que a maioria dos países, incluindo o Brasil, precisa reverter padrões de uso de substâncias consolidadas há décadas.
Os pesquisadores sugerem a substituição de pesticidas altamente tóxicos, a expansão da agricultura orgânica e a adoção de alternativas não químicas como estratégias para conter a escalada dos riscos, indicando tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso como soluções para reduzir impactos sem comprometer a produtividade. Conforme o estudo, “O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-02/agrotoxicos-estao-mais-nocivos-em-todo-o-mundo-aponta-estudo
