Mulheres quebrando barreiras no comando das baterias de escolas de samba do Rio

Laísa Lima é a primeira mulher mestra de bateria a passar na Sapucaí

© Tata Barreto/Riotur

Helen Maria da Silva Simão, pioneira como mestra de bateria no Rio de Janeiro, celebrou o marco de Laísa Lima, a primeira mulher a liderar uma bateria na Marquês de Sapucaí. Em entrevista, Helen Maria expressou seu orgulho e o desejo de ver mais mulheres seguindo os passos de Laísa. “Laísa está de parabéns”, afirmou, destacando que o papel da mulher em uma bateria vai além de tocar instrumentos como o chocalho, abrangendo o conhecimento da bateria como um todo.

Laísa Lima, de 26 anos, comandou a bateria “Sensação” da escola de samba Arranco do Engenho de Dentro, da Série Ouro, homenageando Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça negra do Brasil. Laísa representou Maria Bonita na avenida, enquanto sua bateria simbolizou o xote de Luiz Gonzaga, utilizado por Maria Eliza em seus shows, já que, na época, mulheres não podiam se apresentar como palhaças.

Para Helen Maria, o sucesso de Laísa, que vem sendo premiada como revelação do carnaval de 2026, demonstra a necessidade de mais diversidade na nova geração de mestres. “A nova geração impulsiona essa diversidade”, ressaltou. Helen Maria também mencionou o mestre Markinhos, da Paraíso do Tuiuti, como um exemplo de novas influências musicais no carnaval.

A pioneira relatou ter enfrentado machismo ao longo de sua trajetória, mas vê uma sociedade mais aberta atualmente. Markinhos, diretor de chocalho da Paraíso do Tuiuti, também compartilha dessa visão, afirmando que, apesar de a bateria ser um ambiente tradicionalmente machista, sempre houve espaço para gays e mulheres, mesmo que em menor número. “No carnaval e no Brasil ainda há muita homofobia e transfobia”, pontuou Markinhos.

Helena Theodoro, pesquisadora de carnaval da UFRJ, explica que as baterias são o coração das escolas de samba. “Os instrumentos marcam a cadência do samba-enredo, os floreios de mestres-salas e porta-bandeiras e as coreografias dos passistas”, explica. A pesquisadora acrescenta que a ausência de mulheres no comando das baterias é um reflexo da sociedade, mas que essa barreira começou a ser rompida a partir da década de 1960. “Esse limite começa a ser rompido a partir da década de 1960, quando há uma consciência de que a mulher pode estar em qualquer lugar”, analisou a professora.

Helen Maria iniciou sua jornada no carnaval como porta-bandeira mirim e, entre 2009 e 2010, foi mestra da Unidos do Uraiti. Atualmente, comanda o naipe de chocalhos da Siri de Ramos. Laísa Lima, além de comandar a bateria da Arranco, é responsável pelos tamborins da Beija-Flor de Nilópolis, escola em que sua mãe foi destaque e seu pai, Laíla, que faleceu em 2021, foi diretor de carnaval. Em 2027, Laísa estará novamente à frente da bateria da Arranco.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/laisa-lima-e-primeira-mulher-mestra-de-bateria-passar-na-sapucai

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