Mamografia: Acesso Aumenta e Diagnóstico Precoce Salva Vidas
© José Cruz/Agência Brasil
Um levantamento do Ministério da Saúde, através do Sistema Vigitel, aponta para um aumento significativo na realização de mamografias entre mulheres de 50 a 69 anos no Brasil, entre 2007 e 2024, saltando de 82,8% para 91,9%. O estudo revela que o crescimento foi observado em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade, com destaque para o aumento entre mulheres de 60 a 69 anos e aquelas com ensino fundamental incompleto.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressalta a importância da expansão da mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, faixa etária onde se detecta um quarto dos casos de câncer de mama, enfatizando o esforço do SUS para o diagnóstico precoce. Em setembro de 2025, o ministério já havia expandido a oferta de mamografias para essa faixa etária, mesmo sem a presença de sintomas, visando facilitar o acesso ao exame que antes era condicionado ao histórico familiar ou manifestação de sinais da doença.
Em alusão ao Dia da Mamografia, celebrado nesta quinta-feira (5), o ministério também anunciou a ampliação da faixa etária para o rastreamento ativo, estendendo a idade limite para 74 anos, visto que a maior concentração de casos da doença ocorre entre 50 e 74 anos.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum e que mais causa mortes entre mulheres no país, com cerca de 37 mil novos casos por ano. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam para 78.610 novos casos anuais entre 2026 e 2028.
O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro (SBM-RJ), Bruno Giordano, alerta para o grande número de mulheres que ainda procuram atendimento em estágios avançados da doença, o que compromete o tratamento e aumenta o risco de mortalidade. Segundo ele, essa situação está ligada à baixa cobertura da mamografia, dificuldades de acesso à rede de saúde e demora entre o exame, o diagnóstico e o início do tratamento.
Giordano enfatiza que “a mamografia é o principal exame para detectar o câncer de mama em fases iniciais, muitas vezes antes mesmo do surgimento de qualquer sintoma. Quando conseguimos diagnosticar precocemente, ampliamos de forma significativa as chances de tratamento eficaz e reduzimos a mortalidade”.
Além da mamografia, o médico ressalta a importância de um estilo de vida saudável, com prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e redução do consumo de álcool, como medidas de prevenção. Ele também destaca a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso à informação e aos serviços de diagnóstico e tratamento, garantindo o cumprimento da lei dos 60 dias para o início da terapia após o diagnóstico.
“Não podemos esquecer que, se diagnosticado precocemente, as chances de cura podem chegar a 95%. Nosso compromisso é ampliar o acesso, reduzir desigualdades e fazer com que a mamografia seja parte da rotina de cuidado das mulheres. Essa é uma responsabilidade coletiva, que envolve gestores, profissionais de saúde e toda a sociedade”, conclui o presidente da SBM-RJ.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-02/vigitel-92-das-brasileiras-entre-50-e-69-anos-fizeram-mamografia
