Censo da Pós-Graduação 2025: Capes mapeia o futuro do ensino stricto sensu no Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Está em andamento, até o dia 26 de fevereiro, o primeiro Censo da Pós-Graduação stricto sensu no Brasil, referente ao ano de 2025. A iniciativa inédita, realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), busca coletar dados estatísticos detalhados sobre os programas de mestrado e doutorado em todo o país.
Segundo a Capes, o levantamento tem como objetivo principal orientar a formulação de políticas públicas mais eficazes e alinhadas com a realidade da pós-graduação brasileira. A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destacou a importância do censo para “definir políticas públicas” e identificar o perfil dos pós-graduandos e docentes, incluindo informações sobre gênero, raça e condição socioeconômica.
O preenchimento do formulário eletrônico é obrigatório e individual, devendo ser realizado por pós-graduandos matriculados, professores (permanentes e colaboradores), pesquisadores em estágio pós-doutoral não docentes e coordenadores de Programas de Pós-Graduação (PPGs) através da Plataforma Sucupira. A Capes ressalta que os questionários são adaptados a cada perfil, com perguntas de múltipla escolha e orientações para garantir a correta interpretação.
Pró-reitores e coordenadores de PPGs são responsáveis por acompanhar e garantir a adesão de seus programas dentro do prazo estabelecido. A divulgação dos resultados do censo está prevista para 16 de novembro de 2026.
Em entrevista à Agência Brasil, Denise Pires de Carvalho enfatizou que, nas novas fichas de avaliação dos programas, a Capes busca uma análise “quali-quantitativa”, considerando não apenas o número de artigos produzidos, mas também a qualidade e o impacto desses artigos na sociedade. O censo também incorpora questões sobre parentalidade, visando mapear como a maternidade e a paternidade impactam a trajetória acadêmica de alunos e docentes.
A presidente da Capes destacou ainda que o censo pode auxiliar na identificação de desigualdades regionais e na inclusão de estudantes pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência na pós-graduação, conforme previsto na revisão da Lei de Cotas (nº 14.723/2023). Programas com políticas afirmativas efetivas receberão uma avaliação melhor.
Quanto à evasão na pós-graduação, Denise Pires de Carvalho reconheceu que a saúde mental é um fator relevante, mas ressaltou que a taxa de abandono é menor do que na graduação. Ela destacou a importância das bolsas de estudo para garantir a permanência dos estudantes, financiando profissionais que farão a diferença para o Brasil.
Para Denise Pires de Carvalho, um país com um número maior de mestres e doutores é mais desenvolvido. Ela enfatizou a importância de formar tanto doutores para o ambiente acadêmico quanto para o setor produtivo não acadêmico, incentivando a interação entre universidades e empresas.
Atualmente, o censo já conta com a participação de quase 70% do público-alvo, com diversos Programas de Pós-Graduação já atingindo 100% de preenchimento dos formulários. A Capes busca finalizar o levantamento o mais rápido possível para analisar os dados e apresentar um retrato completo da pós-graduação brasileira.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-01/capes-realiza-censo-da-pos-graduacao-ate-26-de-fevereiro
