Ouro atinge recorde histórico impulsionado por incertezas globais e busca por segurança
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O mercado internacional do ouro registrou um aumento significativo no preço do metal, atingindo valores recordes. Na quarta-feira (28), a onça troy, unidade de medida para metais preciosos, chegou a ser negociada por US$ 5.326, após iniciar o dia em torno de US$ 5.280 (aproximadamente R$ 27,5 mil). A valorização do ouro tem sido constante, com um aumento de mais de 90% nos últimos 12 meses e cerca de 22% apenas em 2026.
A alta do ouro e da prata, que também apresentou valorização expressiva, é reflexo de um cenário global de incertezas, impulsionado principalmente pelas políticas econômicas do governo de Donald Trump, como tarifas e protecionismo, que têm gerado desconfiança no mercado. “Com as tarifas e o protecionismo quase mercantilista, já é por si só um rompimento com o livre comércio que os EUA sempre defenderam”, destaca o economista Rodolpho Sartori.
Além disso, a cobiça de Trump pela Groenlândia e o conflito entre Ucrânia e Rússia também contribuem para a turbulência geopolítica, conforme observa a professora Gecilda Esteves: “Isso abalou, de fato, a confiança entre os Estados Unidos e a Europa, gerando um receio de novas guerras comerciais na gestão do presidente Trump”.
Diante desse cenário, investidores e governos buscam a segurança dos metais preciosos como forma de preservar seus patrimônios. “Os metais podem até ser vistos como investimento, mas aquele tipo de investimento que busca trazer menos volatilidade para a carteira. Neste cenário é proteção mesmo”, afirma Sartori.
O Brasil também tem aumentado suas reservas de ouro, saltando de 129,7 toneladas em janeiro de 2025 para 172,4 toneladas em dezembro, representando um aumento de 33%. Em valores financeiros, o país possuía US$ 23,9 bilhões em ouro em dezembro, em comparação com US$ 11,7 bilhões em janeiro de 2025.
A valorização do ouro, ao ultrapassar a barreira dos US$ 5 mil, não apenas oferece segurança, mas também se torna um componente de rentabilidade atrativo. Paralelamente, a desconfiança em relação ao dólar tem aumentado, com o índice DXY apresentando queda desde a posse de Trump. “O preço do ouro acaba funcionando como um termômetro da saúde do dólar. Quando o ouro sobe, está denunciando que existe desconfiança na moeda americana”, explica Esteves.
Além dos fatores conjunturais, a busca por proteção contra uma possível correção no mercado de capitais e a percepção de insustentabilidade da dívida pública em diversos países também contribuem para a valorização dos metais preciosos. A professora Gecilda Esteves ainda acrescenta que “São ativos que têm valor intrínseco. Não é uma moeda fiduciária, não depende de nenhum governo para garantir sua viabilidade e sua potência econômica”.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/ouro-bate-recordes-na-cotacao-internacional-entenda-os-motivos
