Câncer de Pele Dispara no Brasil: Diagnósticos Saltam e Desigualdade no Acesso ao Tratamento Preocupa

Casos de câncer de pele saltam de 4 mil para mais de 72 mil em 10 anos

© Agência Brasil/Fernando Frazão

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revela um aumento expressivo nos casos de câncer de pele no Brasil, saltando de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A análise da SBD aponta para uma distribuição regional desigual, com as maiores taxas concentradas nos estados do Sul e Sudeste, embora estados como Rondônia e Ceará também apresentem elevações preocupantes.

A SBD atribui essa incidência a fatores como maior exposição solar, predominância de pessoas com pele clara e envelhecimento da população. Em regiões historicamente com baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, o aumento pode indicar um avanço na vigilância epidemiológica, embora a subnotificação ainda seja uma preocupação, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.

A entidade destaca que o aumento nos diagnósticos se tornou mais expressivo a partir de 2018, quando o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) passou a ser obrigatório em exames para análise laboratorial. Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam dificuldades no acesso a dermatologistas, com 2,6 vezes mais obstáculos para agendar consultas em comparação com a saúde privada.

Os dados da SBD mostram que o volume de consultas dermatológicas no SUS retornou aos níveis pré-pandemia, alcançando 3,97 milhões em 2024, próximo da marca de 2019. Na saúde suplementar, o número de consultas ultrapassou 10 milhões, mantendo-se significativamente acima do SUS. Essa disparidade no acesso a especialistas pode influenciar a evolução da doença, especialmente nos casos de melanoma, onde o exame clínico visual é crucial para o diagnóstico precoce.

A falta de acesso a diagnósticos precoces leva a tratamentos mais complexos, com municípios do interior enfrentando dificuldades para acessar os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram a maior parte desses centros especializados, enquanto Acre, Amazonas e Amapá possuem apenas um Unacon cada.

O tempo entre o diagnóstico e o tratamento também varia significativamente entre as regiões, com o Sul e o Sudeste conseguindo iniciar a terapêutica em até 30 dias na maioria dos casos, enquanto no Norte e Nordeste a espera frequentemente ultrapassa 60 dias.

Diante desse cenário, a SBD defende a adoção de medidas urgentes, como garantir o acesso ao protetor solar, ampliar a prevenção e melhorar o diagnóstico precoce. A entidade busca sensibilizar parlamentares a incluírem o filtro solar na lista de itens essenciais dentro da Reforma Tributária, visando reduzir os custos e ampliar o acesso da população ao produto. A SBD também encaminhou os dados a deputados e senadores para contribuir com a regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-01/casos-de-cancer-de-pele-saltam-de-4-mil-para-mais-de-72-mil-em-10-anos

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