Brasil Lidera Ranking Mundial de Assassinatos de Pessoas Trans, Apesar de Queda em 2025

Brasil ainda é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil segue liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans e travestis, com 80 casos registrados em 2025, conforme o último dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Apesar da queda de 34% em relação aos 122 crimes de 2024, o país mantém a posição de maior letalidade para essa população há quase duas décadas.

De acordo com Bruna Benevides, presidente da Antra, os dados refletem um sistema que normaliza a opressão contra pessoas trans, evidenciando uma população exposta à violência extrema, exclusão social, racismo e abandono institucional.

O levantamento da Antra, realizado através do monitoramento de notícias, denúncias e registros públicos, aponta que Ceará e Minas Gerais foram os estados com maior número de assassinatos em 2025, com oito casos cada. A Região Nordeste concentra o maior número de ocorrências, com 38 assassinatos, seguida pelo Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6). No período de 2017 a 2025, São Paulo lidera como o estado mais letal, com 155 mortes. A maioria das vítimas são travestis e mulheres trans jovens, entre 18 e 35 anos, negras e pardas.

O dossiê também revela um aumento nas tentativas de homicídio, indicando que a redução nos assassinatos não representa uma diminuição real da violência. A Antra atribui esse cenário à subnotificação, descrédito nas instituições, retração da cobertura midiática e ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia.

O documento apresenta recomendações ao poder público, sistema de justiça, segurança pública e instituições de direitos humanos, buscando um diálogo para romper com a impunidade e a escassez de recursos que afetam a população trans. Bruna Benevides ressalta a importância de políticas de proteção às mulheres acessíveis às mulheres trans e cobra ação por parte dos tomadores de decisão.

A apresentação da nona edição do “Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras” será realizada no Ministério dos Direitos Humanos, com entrega oficial a representantes do governo federal.

Os dados da Antra corroboram o cenário apontado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que registrou 257 mortes violentas de LGBT+ em 2025, incluindo homicídios, suicídios e latrocínios. Apesar da redução de 11,7% em relação a 2024, o Brasil segue como o país com o maior número de homicídios e suicídios de pessoas LGBT+ no mundo.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-01/brasil-ainda-e-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-e-travestis-no-mundo

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