Montagem de kits importados ameaça 69 mil empregos diretos na indústria automotiva, aponta Anfavea

Produção industrial sobe 0,1% em junho, depois de dois meses de queda

© REUTERS/Nacho Doce/Proibida reprodução

Um estudo recente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alerta para os possíveis impactos da substituição da produção automotiva nacional pela montagem de kits importados no Brasil. A pesquisa aponta que essa mudança poderia resultar na perda de 69 mil empregos diretos e afetar 227 mil postos de trabalho indiretos em toda a cadeia produtiva.

O levantamento da Anfavea indica que a crescente utilização dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) como modelos de montagem pode trazer consequências significativas para o setor automotivo brasileiro, impactando desde os fabricantes de autopeças até as exportações.

“O levantamento estima ainda uma perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um único ano. As perdas nas exportações de veículos seriam de R$ 42 bilhões em um ano, prejudicando a balança comercial do país”, destaca a Anfavea.

No sistema CKD, os veículos são importados completamente desmontados e, no Brasil, passam por processos de soldagem, pintura e integração de componentes. Já no regime SKD, os veículos são importados quase prontos, em grandes conjuntos, com uma montagem local mais simples.

A pressão da Anfavea ocorre em um momento em que o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões, com isenção de Imposto de Importação, para veículos elétricos e híbridos desmontados, beneficiando empresas como a BYD. Essa medida gerou críticas de montadoras tradicionais representadas pela Anfavea, como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, defende que a indústria nacional está preparada para competir, desde que haja condições similares. “A Anfavea e suas associadas não temem a concorrência. O setor recebeu, ao longo das últimas décadas, diversas marcas internacionais dispostas a investir e competir no Brasil. O que se busca é um ambiente competitivo justo, com regras iguais para todos”, afirma Calvet.

A associação se posiciona contra a renovação da isenção da importação de kits para a fabricação em alto volume no país, argumentando que “[essa isenção] pode parecer uma solução vantajosa no curto prazo, mas não constrói uma indústria forte. Modelos produtivos simplificados não desenvolvem cadeias locais, não geram o mesmo nível de empregos e não deixam o mesmo valor no país. E, no longo prazo, fragilizam aquilo que levou décadas para ser construído. Somos a favor da concorrência sem distorções e com coerência regulatória”.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que “o sistema de cotas para importações de CKD e SKD termina neste mês de janeiro e não há, até o momento, nenhum pedido do setor para renovação da medida”.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/anfavea-producao-veicular-com-kits-importados-ameaca-69-mil-empregos

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