Petrobras e Braskem fecham acordos de fornecimento de matéria-prima de R$ 98,5 bilhões
© Fernando Frazão/Agência Brasil
A Petrobras e a Braskem, uma das maiores empresas petroquímicas do mundo, formalizaram contratos de fornecimento de matéria-prima que totalizam US$ 17,8 bilhões, equivalente a R$ 98,5 bilhões. Os acordos, anunciados pelas empresas através de comunicados aos investidores, visam a renovação de contratos de longo prazo que estavam prestes a vencer, com validades que podem chegar a 11 anos. Os valores foram definidos com base em referências internacionais.
Um dos contratos prevê a venda de nafta petroquímica, um derivado do petróleo, para as unidades industriais da Braskem localizadas em São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. O acordo estabelece uma quantidade mínima mensal a ser retirada, com a possibilidade de negociação de volumes adicionais, podendo atingir até 4,116 milhões de toneladas em 2026 e 4,316 milhões de toneladas em 2030. Estima-se que este contrato de venda de nafta alcance US$ 11,3 bilhões, com vigência de cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2026.
Outra negociação envolve a venda de etano, propano e hidrogênio para a unidade da Braskem no Rio de Janeiro. De 2026 a 2028, o contrato mantém a quantidade atual de 580 mil toneladas em eteno equivalente ao ano, produzidas e fornecidas pela Refinaria Duque de Caxias (Reduc). De 2029 a 2036, prevê-se um aumento para 725 mil toneladas em eteno equivalente ao ano, para atender à expansão da Braskem, com produção a partir da Reduc e/ou do Complexo Boaventura. O valor estimado desse contrato é de US$ 5,6 bilhões, com duração de 11 anos a partir de 1º de janeiro de 2026.
O último acordo refere-se à venda de propeno proveniente das refinarias Reduc, Capuava (SP) e Alberto Pasqualini (RS). A quantidade contratada é de até 140 mil toneladas por ano em Capuava e 100 mil na Reduc. Para a Refinaria Alberto Pasqualini, foi definida uma quantidade escalonada, com aumento anual de 14 mil, 24 mil, 36 mil, 48 mil e 60 mil toneladas. O valor estimado deste contrato é de US$ 940 milhões, com vigência de 5 anos, a partir de 18 de maio de 2026.
Além de ser fornecedora, a Petrobras detém 47% das ações com poder de voto da Braskem, sendo a Novonor (antiga Odebrecht) a controladora, atualmente em recuperação judicial. A Novonor está em processo de venda de sua participação na Braskem e firmou um acordo de exclusividade com o fundo de investimentos Shine, assessorado pela IG4 Capital, que assumirá as dívidas da companhia em troca de 50,111% das ações com poder de voto.
Diante desse cenário, a Petrobras informou que está monitorando a situação e poderá exercer seus direitos societários, como o direito de preferência para adquirir a participação da Novonor ou o tag along, que permite a venda de sua parte ao novo controlador. Segundo a Petrobras, “A Petrobras irá acompanhar os desdobramentos do fato comunicado e analisará os termos e condições dessa potencial transação para, se aplicável e no momento oportuno, decidir sobre o eventual exercício, ou não, destes direitos previstos no acordo de acionistas”. A estatal também pode optar por manter sua posição acionária atual. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já expressou publicamente seu apreço pelo potencial da empresa petroquímica.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-12/petrobras-renova-contratos-de-quase-r-100-bi-com-braskem
