Apostas online causam perdas de R$ 38,8 bilhões ao ano no Brasil, aponta estudo inédito
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Um estudo inédito, intitulado “A saúde dos brasileiros em jogo”, revelou que jogos de azar e apostas online, popularmente conhecidos como “bets”, causam prejuízos econômicos e sociais ao Brasil, somando aproximadamente R$ 38,8 bilhões anualmente. Esse montante engloba custos relacionados a suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho.
A pesquisa, resultado de uma parceria entre o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), a Umane e a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM), estimou que 17,7 milhões de brasileiros apostaram em um período de seis meses, com cerca de 12,8 milhões em situação de risco.
Os pesquisadores projetaram perdas significativas em diversas áreas, incluindo R$ 17 bilhões em mortes por suicídio, R$ 10,4 bilhões em perda de qualidade de vida devido à depressão, R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para depressão, R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego, R$ 4,7 bilhões em encarceramento por atividade criminal e R$ 1,3 bilhão referente à perda de moradia. A maior parte desse total, 78,8% (R$ 30,6 bilhões), está associada a custos ligados à saúde.
O estudo destaca que o crescimento acelerado das apostas online, impulsionado pela tecnologia, falta de regulação e exposição midiática, tem impactos significativos no endividamento das famílias, no aumento de casos de transtorno do jogo e no agravamento de quadros de sofrimento mental.
Apesar da arrecadação com as bets ter alcançado R$ 8 bilhões até outubro, os autores do estudo criticam a destinação de apenas 1% desse valor para o Ministério da Saúde, totalizando R$ 33 milhões até agosto, sem vinculação orçamentária específica para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do SUS.
Rebeca Freitas, diretora de Relações Institucionais do Ieps, enfatiza a necessidade de uma regulação firme, fiscalização rigorosa e responsabilidade das operadoras para mitigar os riscos de endividamento, adoecimento e impactos na saúde mental, especialmente entre grupos vulneráveis. Ela afirma que: “A prática está sendo incentivada por um lobby comercial poderoso, ainda que às custas da saúde do povo brasileiro.”
O estudo aponta que as bets têm um impacto “irrisório” na geração de empregos e renda, representando apenas 1.144 empregos formais. Além disso, 84% dos trabalhadores do setor não contribuíram para a previdência em 2024, enquanto a média da economia brasileira era de 36%.
O dossiê sugere medidas inspiradas no modelo britânico, como autoexclusão, restrição à publicidade e destinação de parte da arrecadação para o tratamento de saúde dos afetados. Rebeca Freitas propõe cinco caminhos para mitigar os danos das apostas no Brasil, incluindo aumentar a taxação destinada à saúde, formar profissionais de saúde no tema, proibir propagandas, restringir o acesso e implementar regras duras para as empresas de apostas.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa grande parte do mercado brasileiro, manifesta-se contrário ao aumento da tributação, alegando que “isso pode acabar fortalecendo o mercado clandestino”. Segundo o IBJR, mais de 51% das apostas no âmbito virtual no Brasil operam na clandestinidade.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-12/aposta-online-e-jogo-de-azar-custam-r-388-bi-ao-pais-mostra-estudo
