Dezembro Vermelho: Brasil Alerta para Desafios e Avanços na Luta Contra o HIV/Aids

Brasil celebra avanços neste Dia Mundial de Luta contra o HIV

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Goiás se junta ao mundo na celebração do Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro, marcando o início do Dezembro Vermelho, campanha de conscientização sobre o HIV e a Aids. A iniciativa visa combater a desinformação e a discriminação, além de reforçar a importância dos cuidados com a saúde.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou sobre o risco de retrocesso nos avanços alcançados nas últimas décadas, mencionando a interrupção de programas essenciais, cortes no financiamento e leis punitivas que limitam o acesso aos cuidados, principalmente para as populações mais vulneráveis. Ele ressaltou que “Acabar com a aids significa empoderar comunidades, investir em prevenção e ampliar o acesso ao tratamento para todas as pessoas”, e que este dia serve para lembrar que “temos o poder de transformar vidas e futuros e acabar com a epidemia da aids de uma vez por todas”.

Em nível global, dados da Unaids indicam que 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV. Em 2024, foram registradas 1,3 milhão de novas infecções e 9,2 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao tratamento.

No Brasil, o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde revela que, de 1980 a 2024, foram contabilizados 1.165.599 casos de infecção, com uma média anual de 36 mil novos casos nos últimos cinco anos. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou a redução da mortalidade e a eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública, graças ao SUS e ao Programa Nacional de Combate à Aids. Contudo, ele admitiu que a data serve para alertar sobre as desigualdades no acesso à prevenção e ao cuidado. “Tem muita coisa para alertar ainda, muito para melhorar, para cuidar das pessoas, no acesso à saúde, no combate ao estigma, na prevenção”, publicou o ministro.

O Brasil, como signatário da OMS, busca eliminar a Aids como problema de saúde pública até 2030, seguindo as metas 95-95-95: diagnosticar 95% das pessoas vivendo com HIV/Aids, tratar 95% das diagnosticadas e garantir que 95% destas estejam com carga viral suprimida. Além disso, o país busca reduzir a taxa de incidência do HIV e o número de óbitos por Aids em 90%, em comparação com os índices de 2010.

A taxa de detecção de Aids no Brasil é de 17,8 casos por 100 mil habitantes, com maior incidência entre 25 e 34 anos. A transmissão sexual permanece como a principal via (75,3%). A maior concentração de casos de Aids está na faixa etária de 25 a 39 anos, com predomínio no sexo masculino (68,4%). Houve um aumento de 33,9% nos casos entre pessoas acima de 60 anos entre 2015 e 2023.

Em 2023, foram notificados 46.495 casos de infecção pelo HIV, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. Desses, 63,2% eram de pessoas autodeclaradas negras, e 53,6% ocorreram em homens que fazem sexo com homens. Em gestantes, foram notificados 166.237 casos de HIV desde 2000, com uma taxa de detecção crescente. Em 2023, houve predomínio de casos entre gestantes negras e naquelas com idades entre 20 e 29 anos.

O número de óbitos por Aids em 2023 foi de 10.338, sendo 63% entre pessoas negras e 34,9% entre pessoas brancas. A razão de sexos revela 21 óbitos entre homens para cada dez óbitos entre mulheres.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-12/brasil-celebra-avancos-neste-dia-mundial-de-luta-contra-o-hiv

What do you feel about this?