COP30 Marcada por Protestos Indígenas e Demandas por Justiça Climática em Belém
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém, foi palco de diversas manifestações, incluindo um protesto de indígenas na Zona Azul. O ato ocorreu durante a retomada das negociações, após um incêndio ter atingido parte dos pavilhões dos países.
Os manifestantes indígenas percorreram o corredor central da Zona Azul, entoando cânticos e exibindo cartazes. Suas reivindicações incluem a demarcação de terras, apoio aos guarani kaiowá e o fim da mineração promovida por empresas canadenses em territórios indígenas. Eles também pedem a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajó.
A manifestação ocorreu após a Plenária dos Povos, organizada pela rede Climate Action Network – International, que reúne mais de 1.300 ONGs de cerca de 130 países.
A COP30 tem reunido cerca de 50 mil pessoas, incluindo representantes de comunidades tradicionais, agricultores, indígenas, ribeirinhos e quilombolas. As manifestações têm sido uma constante, com reivindicações que vão desde maior participação nos espaços de decisão até críticas à construção da Ferrogrão e à privatização de empreendimentos no Rio Tapajós.
Lideranças do povo munduruku já foram recebidas pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e o governo federal anunciou que realizará uma consulta prévia aos povos sobre o projeto de hidrovia no Tapajós, segundo o ministro Guilherme Boulos.
Paralelamente à COP30, a Cúpula dos Povos reuniu cerca de 20 mil pessoas de diversos movimentos sociais para discutir e apresentar demandas, incluindo uma barqueata com cerca de 5 mil pessoas na Baía do Guajará. Integrantes da Cúpula criticaram a ausência de maior participação popular na COP30 e defenderam a Palestina, apontando para a omissão de países e tomadores de decisão em relação às metas do Acordo de Paris.
Outros atos incluem o “Funeral dos Combustíveis Fósseis” na UFPA e a Marcha Mundial pelo Clima, que reuniu cerca de 70 mil pessoas. O Tribunal Autônomo e Permanente dos Povos contra o Ecogenocídio divulgou uma sentença condenando Estados e empresas por violações contra povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e a natureza.
A Declaração Final da Cúpula dos Povos classificou como “falsas soluções” as medidas apresentadas para o enfrentamento da emergência climática, apontando o modo de produção capitalista como causa principal da crise. O cacique Raoni Metuktire encorajou os participantes a continuar a luta, e o presidente Lula destacou a importância da Cúpula dos Povos para a COP30.
A AldeiaCOP também tem sido um espaço importante, com apresentações, feira de bioeconomia, debates e rituais indígenas. Uma marcha pelas ruas de Belém cobrou punição pelo assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/demarcacao-de-terras-e-maior-participacao-mobilizaram-protestos-na-cop
