Black Zone em Belém: Mulheres Negras se Unem por Justiça Climática e Reparação Histórica

Ativistas paraenses contam história da Marcha das Mulheres Negras

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em Belém, no Pará, a Praça da República se tornou palco da Black Zone, um espaço de convergência para mulheres negras de diversas localidades. O objetivo é promover o intercâmbio de experiências e fomentar debates paralelos à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Além de amplificar as vozes de quem está à margem das negociações climáticas oficiais, o grupo se prepara para a Marcha das Mulheres Negras.

A iniciativa homenageia Raimunda Nilma Bentes, a Dona Nilma, artista, escritora e ativista que idealizou a primeira marcha em 2015. “Em 2011, a gente estava na Bahia em uma atividade internacional e, talvez por força de algumas falas, eu senti uma necessidade de que a gente fizesse algo mais contundente. Dai eu resolvi sugerir, em uma micro reunião da Associação de Organização de Mulheres Negras, uma marcha das 100 mil mulheres negras”, relembra Dona Nilma. O evento, marcado para 2015, coincidiu com a comemoração da primeira marcha mista de pessoas negras, ocorrida em 1995.

Dez anos depois, no dia 25 de novembro, um contingente significativo de mulheres negras marchará em Brasília para reivindicar reparações e melhores condições de vida. Maria Malcher, coordenadora de projetos do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, explica que a reparação abrange a luta contra a violência, a xenofobia e o racismo, além de abordar a reparação histórica pela escravização.

Dona Nilma aponta que o “bem viver” abrange tanto um projeto político macro, como a transição energética com justiça social e a valorização do coletivo, quanto as demandas específicas de cada território, como melhores condições de trabalho e representação política para as mulheres negras.

Diante da urgência climática, as mulheres negras constituíram o Comitê Nacional das Mulheres Negras por Justiça Climática, lançado em Belém no dia 10 de novembro. O colegiado, composto por 36 organizações, busca influenciar as decisões da COP30 e entregar um manifesto aos chefes dos Três Poderes durante a marcha em Brasília.

A programação inclui mais de 50 atividades, como diálogos globais, assembleias da Rede Afrolatinoamericana e Caribenha e encontros de juventudes. A marcha também terá uma dimensão formativa, com a apresentação de um manifesto econômico e estudos em parceria com organizações negras de pesquisa.

Para auxiliar as participantes da marcha, foi criada uma cartilha organizada pela comunicadora Flávia Ribeiro, que aborda a história, a mobilização e as proposições da reparação.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2025-11/ativistas-paraenses-contam-historia-da-marcha-das-mulheres-negras

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