PIB brasileiro cresce 0,1% no 3º trimestre de 2025, aponta FGV
© Marcello Casal JrAgência Brasil
A economia brasileira apresentou um crescimento de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, e um avanço de 2,5% nos últimos 12 meses. Os dados, divulgados nesta terça-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, através do Monitor do PIB, revelam uma estabilidade na passagem de agosto para setembro.
O estudo estima o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, em R$ 9,370 trilhões no acumulado até o terceiro trimestre.
Segundo Juliana Trece, economista e coordenadora da pesquisa, o desempenho da economia foi limitado pela estagnação dos setores de serviços e consumo das famílias, que são os maiores componentes do PIB. A análise interanual dos dados aponta para uma desaceleração do consumo das famílias, que cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2024. O estudo destaca que: “Apesar do resultado levemente positivo, o consumo de bens apresentou desempenho negativo, tanto em duráveis, como em não duráveis. O consumo de serviços, apesar de positivo, desacelerou significativamente no último trimestre”.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica a capacidade produtiva da economia, registrou uma queda de 0,4% na comparação entre os terceiros trimestres de 2024 e 2025, impactada pelo desempenho do setor de máquinas e equipamentos.
Juliana Trece relaciona a política monetária, com juros elevados, como um dos principais fatores para a desaceleração do consumo e a queda na capacidade de investimento. “Os juros elevados, com certeza, têm uma contribuição importante para esse resultado”, afirmou à Agência Brasil. A manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) é uma tentativa de controlar a inflação. “Por mais que agora já esteja acomodado no patamar bastante elevado, de 15%, a gente sabe que tem um efeito defasado na atividade econômica, e esse efeito está chegando mais evidentemente agora nesse resultado do terceiro trimestre”, completa Trece.
Em contrapartida, as exportações apresentaram um crescimento de 7% no mesmo período, impulsionadas principalmente pelo setor da indústria extrativa. Juliana Trece ressalta que as exportações cresceram mesmo com a imposição do “tarifaço americano”, que eleva as taxas sobre produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. Para a economista: “Claro que alguns segmentos podem ter sofrido mais, por exemplo, o madeireiro, que tem muito essa questão de ser direcionado para os Estados Unidos, mas não apareceu no resultado como um todo, então não teve esse impacto tão global nas exportações”.
Além do Monitor do PIB, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR) também indica uma retração de 0,2% na passagem de agosto para setembro e de 0,9% no terceiro trimestre. O resultado oficial do PIB, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em 4 de dezembro, referente ao terceiro trimestre de 2025.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/economia-brasileira-cresce-01-no-terceiro-trimestre-estima-fgv
