Disputa geopolítica entre EUA e China marca debate climático, diz embaixador
© Bruno Peres/Agência Brasil
Em meio aos debates da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), o embaixador André Corrêa do Lago, atual presidente da COP30, aponta para uma crescente disputa geopolítica entre Estados Unidos e China no que tange às estratégias de combate à crise climática. Segundo ele, a China se apresenta como forte defensora da nova economia verde, enquanto o governo norte-americano parece inclinado a defender modelos econômicos mais tradicionais.
“Uma coisa muito clara nesta COP é a presença muito forte da China e essa situação curiosa em que nós temos a China como a grande apoiadora dessa nova economia e o governo norte-americano defendendo um retorno a uma economia antiga”, declarou Corrêa do Lago em entrevista ao programa Brasil no Mundo da TV Brasil.
O embaixador ressalta a preocupação de setores econômicos e políticos dos EUA em perder a liderança tecnológica caso o país se afaste da transição energética. Ele ainda alerta para o que chama de “negacionismo econômico”, exemplificado pela postura do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que reconhece o impacto das atividades humanas no clima, mas prioriza a adaptação em vez da mitigação.
Corrêa do Lago destaca que, em muitos setores, as tecnologias que substituem os combustíveis fósseis já são economicamente mais viáveis, tornando o negacionismo climático insustentável. Apesar da ausência do governo federal dos EUA, ele observa a participação de governadores, como o da Califórnia, representando uma parcela significativa do PIB americano.
Durante a entrevista, o embaixador também apresentou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um novo instrumento de financiamento brasileiro. Ele acredita que o fundo, por estar fora dos mecanismos oficiais da COP, tem mais chances de atrair recursos de países em desenvolvimento, como Brasil e China. “Porque tudo que está dentro da convenção está no princípio que os países desenvolvidos devem fornecer recursos para os países em desenvolvimento”, explicou. O foco do TFFF são fundos soberanos em busca de rendimentos fixos, e novos anúncios de investimentos são esperados após a COP.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/china-apoia-combate-mudanca-do-clima-diz-presidente-da-cop30
