Operação Sem Desconto atinge núcleo de esquema criminoso no INSS, diz presidente da CPMI
© José Cruz/Agência Brasil
A nova fase da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal (PF) e Controladoria-Geral da União (CGU), atingiu figuras centrais no esquema de descontos ilegais de mensalidades associativas de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), a operação prendeu o núcleo principal dos desvios no INSS, “da quadrilha que tomou de assalto as aposentadorias brasileiras”.
Entre os detidos está o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que havia sido indicado ao cargo pelo então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, que pediu demissão após o escândalo. Stefanutto já havia sido afastado e exonerado do cargo após a primeira fase da operação em abril.
As investigações apontam que o escritório de advocacia de Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis, recebeu cerca de R$ 5,1 milhões de dirigentes de entidades investigadas na Operação Sem Desconto.
Além de Stefanutto, a operação também atingiu o ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira, o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), investigado por supostamente ter vendido um avião a uma das entidades associativas, e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSS-MA), vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).
De acordo com o senador Viana, outros parlamentares também estão sendo investigados por envolvimento com a fraude. “Há outros parlamentares que também têm envolvimento e que, no momento certo, de acordo com suas responsabilidades, prestarão depoimentos ao STF”, declarou, sem fornecer mais detalhes para não prejudicar as investigações.
A CPMI divide os responsáveis pelo esquema em três escalões: políticos que teriam recebido pagamentos para manter servidores corruptos em cargos-chave, servidores públicos que atuavam para manter os desvios, e operadores que realizavam os saques e desvios diretos do dinheiro. “Agora queremos saber quem ajudou, quem indicou, quem nomeou e o que receberam para que este esquema pudesse continuar funcionando e de que maneira políticos foram beneficiados nesta história”, concluiu Viana.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2025-11/operacao-atinge-nucleo-de-fraudes-no-inss-diz-presidente-de-cpmi
