Cúpula dos Povos na UFPA: “Funeral dos Combustíveis Fósseis” marca ato de abertura

Ato na UFPA enterra simbolicamente combustíveis fósseis

© Rafael Cardoso / Agência Brasil

Belém, no Pará, sedia desde quarta-feira (12) uma série de eventos da Cúpula dos Povos, com intensa participação de movimentos sociais e lideranças de povos tradicionais no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Um dos momentos marcantes do dia foi a manifestação artística coordenada pela professora Inês Antônia Santos Ribeiro, da Escola de Teatro e Dança da UFPA, que também coordena o programa de extensão Alto do Círio, ligado ao Círio de Nazaré.

Durante a abertura da Cúpula dos Povos, um ato simbólico intitulado “Funeral dos Combustíveis Fósseis” ganhou destaque. Artistas, unidos em uma representação de uma cobra, denunciaram os impactos climáticos do uso de combustíveis derivados de petróleo, gás natural e carvão mineral. A Boiuna, figura emblemática da cultura amazônica, foi utilizada como símbolo para abrir caminhos para as lutas e demandas das populações tradicionais da Amazônia.

Segundo a professora Inês, “A nossa intenção é que a Boiuna enterre os combustíveis fósseis. Já que ela está embaixo de Belém sustentando essa terra, ela vai afundar, vai levar, vai engolir simbolicamente os combustíveis fósseis”.

A professora ressaltou o poder da arte em alertar sobre os impactos da crise climática na fauna, flora e nas comunidades que habitam os territórios ameaçados. “A arte é política, a arte é cultura. Pelos seus símbolos, ela pode representar a grande mensagem que queremos passar: de que somos vítimas de uma violência climática. Nesse território existem vidas que precisam ser sustentadas pelos nossos encantados, seres espirituais que são guardiões da natureza e da floresta”, afirmou Inês.

A Cúpula dos Povos, que se estende até o dia 16 de novembro, acontece paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O evento reúne vozes que buscam influenciar os líderes mundiais em relação aos compromissos para combater o aquecimento global e a injustiça climática.

O primeiro dia da Cúpula foi marcado por uma barqueata na Baía do Guajará, que reuniu cerca de 5 mil pessoas em mais de 200 embarcações. Na UFPA, delegações de movimentos sociais participaram de debates e rodas de conversa sobre temas como transição energética, interseccionalidade de gênero, raça, classe e território, e “artivismo” feminista popular e antirracista.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/ato-na-ufpa-enterra-simbolicamente-combustiveis-fosseis

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