Indígenas da Amazônia levam suas demandas climáticas à COP30 em Belém

COP30: 1,6 mil indígenas de nove países participam da conferência

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma significativa delegação de cerca de 1,6 mil lideranças indígenas, representando nove países da Bacia Amazônica, está presente em Belém para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30).

Os representantes indígenas reivindicam o reconhecimento dos territórios indígenas como parte fundamental da política climática global, buscando maior participação nos processos de decisão e financiamento direto para as comunidades que atuam na preservação da floresta. A proteção dos defensores dessas populações também é uma prioridade.

De acordo com os indígenas, seus territórios são áreas cruciais para a preservação da Amazônia e atuam como importantes reservatórios de carbono. No entanto, eles denunciam pressões crescentes em suas comunidades, como a mineração e a expansão agropecuária, além de serem os primeiros a sofrer os impactos das mudanças climáticas, como secas prolongadas e inundações.

“Sem território, não há vida, clima e nem futuro. Os direitos territoriais indígenas devem ser reconhecidos como política climática, pois são as nossas terras preservadas e protegidas, com a floresta em pé, que garantem a conservação da biodiversidade e o equilíbrio climático do planeta”, afirma Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

As organizações indígenas elaboraram suas próprias Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que estabelecem metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O documento enfatiza a necessidade de priorizar o reconhecimento de territórios, incluindo os de povos isolados, garantir acesso direto a recursos, promover a autonomia financeira, proteger os defensores, valorizar o conhecimento tradicional e criar zonas livres de exploração.

“Nós acreditamos que a COP30 é uma oportunidade única para os países assumirem compromissos sérios e ambiciosos em relação à redução da emissão de gases de efeito estufa e para estratégias concretas de mitigação e adaptação climática. Mas é importante ressaltar que a nossa incidência não é somente na COP30, e sim um processo que deve se estender para as próximas conferências e outros espaços de decisão global – sempre ouvindo a nossa voz, a voz dos povos indígenas”, ressalta Toya.

A Coiab planejou uma programação diversificada nas Zonas Azul e Verde da conferência, na Cúpula dos Povos, na Aldeia COP, e em outras mobilizações. Uma Marcha dos Povos Indígenas está agendada para o dia 17, percorrendo as ruas de Belém a partir da Avenida Perimetral.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/cop30-16-mil-indigenas-de-nove-paises-participam-da-conferencia

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