Velório de ex-delegado-geral de SP: Força-tarefa investiga execução
© Paulo Pinto/Agência Brasil
O corpo de Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e atual secretário de Administração da prefeitura de Praia Grande, está sendo velado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na capital paulista, desde as 11h10 desta terça-feira (16). Fontes foi assassinado por criminosos na noite de segunda-feira (15), em um bairro próximo à sede da prefeitura e ao fórum de Praia Grande, no litoral de São Paulo.
A cerimônia de despedida, que se estenderá até as 15h, é acompanhada por amigos, familiares, políticos e diversas autoridades do estado, incluindo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deputados estaduais e federais, além do prefeito da capital, Ricardo Nunes. O translado do corpo do Instituto Médico-Legal (IML) para a Alesp ocorreu por volta das 7h30.
Fontes, que assumiu a secretaria de Administração em janeiro de 2023 e permanecia na gestão iniciada em 2025 com o prefeito Alberto Mourão, foi atacado por volta das 18h. Imagens de câmeras de segurança revelaram a brutalidade da execução: seu veículo, em alta velocidade, tentava escapar quando capotou entre dois ônibus ao acessar uma avenida. Pouco depois, um carro perseguidor se aproximou, e três homens armados com fuzis desembarcaram. Dois deles efetuaram múltiplos disparos contra o carro de Fontes antes de fugirem pela mesma via. A prefeitura de Praia Grande informou que mais duas pessoas ficaram feridas na ocasião. Elas foram socorridas pelo Samu, encaminhadas inicialmente à UPA Quietude e, posteriormente, transferidas ao Hospital Municipal Irmã Dulce, ambas sem risco de morte.
A morte do secretário gerou forte repercussão. Em um vídeo, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, expressou profunda tristeza pela perda. Mourão elogiou a trajetória de Fontes como delegado-geral, destacando sua dedicação para equipar a polícia com meios, condições e tecnologia para aprimorar o serviço à sociedade. O prefeito também cobrou celeridade na elucidação do crime: “Infelizmente, acabou sendo assassinado por pessoas que a gente desconhece a motivação. Mas é fundamental que se apure esses fatos. A polícia já está colocando todo efetivo à disposição e o governador [Tarcísio de Freitas] ligou e disse que colocou toda a força tarefa para apurar com intensidade essa situação. Nos cabe nesse momento ficarmos solidários à sua família, que neste momento está sofrendo muito com a morte”.
Em resposta ao homicídio, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) comunicou, via nota, a formação de uma força-tarefa composta pelas polícias Civil e Militar. O objetivo é identificar e localizar os responsáveis pelo crime. Equipes especializadas, incluindo do DHPP, Deic, Garra/Dope, Cercos da capital e do Deinter 6, além de batalhões da Polícia Militar como o BAEP de Santos e a ROTA, estão engajadas em diligências contínuas na região. O caso, registrado na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande, será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com o suporte de outros departamentos. Dois veículos foram apreendidos, imagens de segurança estão sendo analisadas e exames foram solicitados ao Instituto de Criminalística. Paralelamente, o Ministério Público confirmou na noite de segunda-feira sua atuação na investigação. O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, informou ao secretário de Segurança, Guilherme Derrite, que “O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) vai apoiar a investigação da Polícia Civil no caso da execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, que ocorreu nesta segunda-feira, na Praia Grande.”
A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo também se manifestou por meio de nota, solidarizando-se com a família, amigos e colegas de Fontes. A entidade descreveu o ex-delegado como um profissional que “teve uma trajetória notabilizada pelo combate ao crime organizado, em suas diversas modalidades”. A Ouvidoria enfatizou a necessidade de uma investigação rápida e a punição dos culpados para evitar novas mortes e o uso indiscriminado da força policial, citando as operações Escudo e Verão. A nota ressaltou a capacidade investigativa da Polícia Civil: “A Polícia Civil de nosso estado possui instrumentos de inteligência e comprovada experiência em diligências semelhantes, para dar uma resposta pronta e evitar operações açodadas que inflacionem e dilatem o desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas e terminem por ampliar o quadro de vítimas inocentes em nossa recente e triste história naquele território”.
Ruy Ferraz Fontes dedicou mais de 40 anos à carreira policial. Em sua extensa trajetória, atuou em diversas divisões importantes, como a de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a 1ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Denarc, e a 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos do Deic. Também dirigiu o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP) e alcançou o cargo máximo na Polícia Civil, sendo delegado-geral do Estado de São Paulo até 2022. Ele foi reconhecido por sua atuação na repressão a roubos a bancos e pela prisão de importantes lideranças do PCC nos anos 2000. Após se aposentar da Polícia Civil, assumiu o cargo de Secretário de Administração de Praia Grande em janeiro de 2023.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-09/corpo-de-ex-delegado-geral-executado-em-praia-grande-e-velado-na-alesp
