EJA Impulsiona Renda e Formalização no Mercado de Trabalho, Aponta Estudo Inédito
© Geovana Albuquerque/Agência Brasília
Um estudo inédito revela o impacto positivo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na vida de estudantes que retornam à escola para concluir os ensinos fundamental e médio. A pesquisa, encomendada pelo Ministério da Educação em parceria com a UNESCO, aponta para um aumento na renda, melhores oportunidades de emprego e maior formalização no mercado de trabalho para quem participa da EJA.
O levantamento será apresentado durante o Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos, evento que marca o primeiro ano do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA). O objetivo do estudo é “preencher uma lacuna importante na pesquisa sobre o tema” e fornecer dados para ampliar o investimento e o acesso à EJA.
Apesar dos avanços na educação formal nas últimas décadas, com taxas de atendimento no ensino fundamental chegando a 96,7% em 2010, o estudo destaca que altas taxas de reprovação e evasão escolar persistem. Em 2023, por exemplo, 35% dos jovens brasileiros não haviam concluído o ensino médio até os 20 anos. A EJA oferece uma oportunidade para que esses jovens e adultos retomem os estudos em cursos de duração mais rápida. Para ingressar na EJA, é preciso ter pelo menos 15 anos para o ensino fundamental e 18 anos para o ensino médio.
Os resultados da pesquisa mostram que a EJA impulsiona a renda dos estudantes em todas as etapas, desde a alfabetização até a conclusão do ensino médio. Para quem conclui a alfabetização, a renda média aumenta 16,3% na faixa etária entre 18 e 60 anos, com um impacto ainda maior (mais de 23%) entre 46 e 60 anos. A alfabetização também eleva em 7,7 pontos percentuais a probabilidade de ter uma ocupação formal e em 2,3 pontos percentuais a chance de conseguir um emprego de qualidade, com salário de pelo menos um salário mínimo e jornada de até 44 horas semanais.
A conclusão do ensino fundamental pela EJA eleva a renda média em 4,6%, com um aumento de 14,9% para o grupo de 26 a 35 anos. Além disso, aumenta em 6,6 pontos percentuais a probabilidade de ter um trabalho formal e em 3,2 pontos percentuais de ter uma ocupação de qualidade. Já a EJA no ensino médio aumenta a renda mensal em 6%, em média, para o grupo de 18 a 60 anos, com um impacto ainda maior (10%) na faixa de 26 a 35 anos. A probabilidade de ter uma ocupação formal cresce 9,4 pontos percentuais e a de ter uma ocupação de qualidade, 3,3 pontos percentuais.
Segundo Fabiana de Felicio, autora do estudo, os resultados “reforçam a importância estratégica da educação de jovens e adultos no Brasil”. Ela destaca que “os expressivos contingentes de pessoas aptas a cursar a alfabetização e as etapas da EJA, somados aos retornos econômicos positivos identificados, indicam um vasto potencial para a expansão dessas modalidades de ensino.” A pesquisadora ressalta que o investimento na EJA beneficia os indivíduos e impulsiona o desenvolvimento social e econômico local.
O Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, lançado pelo MEC, prevê a criação de 3,3 milhões de novas matrículas na EJA e a sua oferta integrada à educação profissional, com um investimento de R$ 4 bilhões em quatro anos. No Brasil, de acordo com dados do IBGE, há 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas, o que representa 5,3% da população nessa faixa etária.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-09/alfabetizacao-de-adultos-pode-aumentar-renda-em-ate-16-aponta-estudo
