Ensino Integral Eleva Desempenho no Enem 2024, Aponta Pesquisa

Estudantes do ensino integral têm notas maiores no Enem, diz estudo

© Arquivo/Agência Brasil

Goiás se destaca em pesquisa sobre o impacto do Ensino Médio Integral no ENEM 2024

Um estudo recente do Instituto Sonho Grande revelou que estudantes de escolas estaduais de Goiás que adotam o Ensino Médio Integral (EMI) obtiveram um desempenho superior no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024, em comparação com alunos de escolas de turno parcial. Para ser considerada EMI, a instituição deve oferecer no mínimo sete horas diárias ou 35 horas semanais de aulas.

A análise dos dados do Enem 2024, conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontou que a maior diferença de desempenho se encontra na prova de redação. Alunos do EMI alcançaram, em média, 12 pontos a mais na redação, cuja pontuação varia de 0 a 1000. Essa diferença salta para 27 pontos em escolas com 100% das matrículas em tempo integral. O desempenho também foi superior em matemática, com uma diferença de cinco pontos em relação às escolas regulares.

Ana Paula Pereira, diretora-executiva do Instituto Sonho Grande, enfatizou a importância da educação integral para melhores resultados e oportunidades para os estudantes. “Esses dados vão ao encontro ao que já vínhamos observando em outras pesquisas: estudantes do ensino médio integral aprendem mais, quando comparados aos de tempo parcial”, afirmou.

O Censo Escolar de 2024 demonstra que os estados do Nordeste lideram em matrículas de tempo integral na rede pública, com Pernambuco, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe apresentando as maiores proporções. Nessas regiões, as escolas com EMI também se destacaram no Enem, com médias mais elevadas em redação e nas áreas de conhecimento avaliadas.

Em Pernambuco, a diferença na prova de redação chega a 68 pontos a favor das escolas com oferta 100% integral. No Ceará, essa diferença é ainda maior, alcançando 134 pontos. Ana Paula Pereira atribui esse sucesso ao investimento contínuo e à priorização política do modelo integral nesses estados, com planejamento consistente, formação de professores e acompanhamento pedagógico.

Outro estudo, realizado em parceria com o Instituto Natura, mostrou que alunos de escolas de ensino médio em tempo integral têm 16,5% mais participação no Enem e notas mais altas, principalmente em redação, com 29 pontos a mais. Maria Slemenson, superintendente de Políticas Educacionais para o Brasil do Instituto Natura, defende que o ensino médio integral é uma política pública transformadora e um caminho promissor para o país.

Além dos resultados acadêmicos, a educação em tempo integral também impacta positivamente o futuro profissional dos alunos, aumentando suas chances de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho, além de reduzir problemas sociais como violência e gravidez na adolescência.

Apesar dos avanços, o percentual de matrículas em tempo integral na educação básica ainda não atingiu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE). Ana Paula Pereira aponta o financiamento público contínuo, o apoio aos estudantes em vulnerabilidade socioeconômica e a reorganização das redes estaduais de educação como os principais desafios para a consolidação da política de ampliação do ensino integral.

O Programa Escola em Tempo Integral, do Ministério da Educação (MEC), busca expandir a oferta dessa modalidade de ensino em todo o país, com o objetivo de promover o desenvolvimento dos estudantes e melhorar os indicadores nacionais de aprendizagem. No entanto, especialistas defendem que a meta brasileira para o ensino em tempo integral seja mais ambiciosa, e que a expansão seja acompanhada de diretrizes pedagógicas que garantam o desenvolvimento integral dos alunos.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-08/estudantes-do-ensino-integral-tem-notas-maiores-no-enem-diz-estudo

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