Fundação Maria Cecília Souto Vidigal aponta diferenças na aprendizagem infantil por raça e renda
© Rovena Rosa/Agência Brasil
A aprendizagem infantil apresenta diferenças associadas à raça/cor e ao nível socioeconômico aos 5 anos, segundo análise da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal baseada em uma avaliação internacional.
O levantamento avaliou crianças matriculadas na pré-escola em aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais. Os resultados fazem parte do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância (IELS), elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Diferenças na aprendizagem infantil
A maior distância relacionada à renda e à raça/cor apareceu em numeracia. Crianças pretas, pardas ou indígenas de famílias com nível socioeconômico baixo alcançaram 416 pontos, enquanto crianças brancas ou amarelas de famílias com nível alto chegaram a 500, uma diferença de 84 pontos.
Em memória de trabalho e literacia, a diferença entre os grupos foi de 55 pontos. Na primeira competência, as pontuações foram 441 e 496. Na segunda, 477 e 532, respectivamente. Literacia envolve habilidades ligadas à linguagem, como compreender narrativas curtas, palavras e sons.
Na comparação por raça/cor, crianças pretas registraram 423 pontos em numeracia emergente, contra 463 entre as brancas e 447 entre as pardas. Essa dimensão considera capacidades como contar, comparar quantidades e reconhecer padrões. Em memória de trabalho, as médias foram de 462 pontos para crianças pretas, 463 para pardas e 471 para brancas.
Marina Fragata Chicaro, diretora de Políticas Públicas da fundação, afirmou: “Características como raça, cor ou nível socioeconômico não determinam a capacidade de uma criança de aprender.” Segundo ela, as condições de vida, o acesso a direitos e as oportunidades influenciam o desenvolvimento.
Políticas preveem acompanhamento desde cedo
A análise cita a Política Nacional Integrada da Primeira Infância, a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola e o Novo Plano Nacional de Educação. As medidas incluem priorizar crianças em situação de vulnerabilidade, enfrentar desigualdades étnico-raciais na educação infantil e monitorar o acesso e a permanência de crianças negras, indígenas e quilombolas.
O estudo também propõe separar os dados por raça/cor, combinar políticas universais e focalizadas, formar professores para atender territórios vulneráveis e ampliar oportunidades de aprendizagem em numeracia por meio de brincadeiras. Outra frente é integrar educação, saúde e assistência social.
A avaliação internacional mede diferentes aspectos do desenvolvimento infantil. Funções executivas incluem habilidades como memória de trabalho, enquanto a numeracia trata de noções matemáticas iniciais. A primeira infância é descrita pela análise como uma fase influenciada pelo ambiente, pelas relações e pelas oportunidades oferecidas às crianças.
Créditos da imagem: © Rovena Rosa/Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
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