Criminosos simulam telefone de advogados na tela do celular para aplicar golpe

Dr. George Morais propõe semana dedicada à prevenção do golpe do falso advogado em Goiás

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Em casos de golpe do falso advogado, chamadas fraudulentas podem mostrar na tela do celular o número do profissional ou do escritório responsável pelo processo. A técnica, conhecida como falsificação de identificação de chamadas, faz a ligação parecer legítima mesmo quando parte de outro telefone.

Os criminosos usam nomes de clientes, números de processos e movimentações recentes para informar sobre supostas indenizações, precatórios ou outros créditos. Depois, cobram valores antecipados, como taxas, impostos, custas cartorárias ou despesas administrativas, muitas vezes por Pix.

Em fevereiro de 2026, a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) informou ter recebido 4.388 denúncias relacionadas a esse tipo de golpe em pouco mais de um ano e meio.

Golpe do falso advogado combina dados

A falsificação pode fazer aparecer também o nome associado a um contato salvo na agenda. Segundo Carla Reis, supervisora de Atendimento e Comunicação da Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados, o acesso a dados reais não confirma a identidade de quem fez a ligação. Ela afirmou: “O acesso a informações reais do processo não comprova que a pessoa que entrou em contato seja quem diz ser.”

Para dar aparência profissional à abordagem, os fraudadores criam perfis no WhatsApp com nome e foto do advogado, fingem integrar o setor financeiro do escritório ou se apresentam como servidores de tribunais. Também podem enviar alvarás e decisões judiciais falsificados, além de links que pedem informações pessoais e bancárias.

A identificação exibida pelo celular não depende necessariamente de invasão ou clonagem do telefone do advogado. A fraude pode combinar a manipulação do número com dados disponíveis em sistemas processuais de acesso público, redes sociais e outras fontes. Contas de terceiros recebem os pagamentos, e os dados coletados podem ser usados em outras fraudes.

A confirmação exige outro canal

A orientação é encerrar a conversa e procurar o advogado por uma forma de contato diferente. O telefone deve ser consultado no contrato de prestação de serviços, no site oficial do escritório ou em conversas anteriores cuja autenticidade seja conhecida. Retornar pelo histórico da chamada suspeita não é considerado seguro.

O cliente também pode verificar o andamento no portal oficial do tribunal responsável e confirmar a titularidade da conta antes de pagar. A ferramenta ConfirmADV, disponibilizada pela OAB, permite consultar se o profissional está regularmente inscrito, mas não substitui a confirmação de uma cobrança com o escritório.

Prazos curtos, pressão por Pix, depósitos em contas de terceiros e pedidos de senhas ou códigos de autenticação são sinais de alerta. Carla Reis orienta: “Antes de transferir qualquer quantia, o cliente deve confirmar com o escritório se a cobrança existe e a que ela se refere.”

Quem receber uma abordagem suspeita deve guardar mensagens, áudios, capturas de tela, números e documentos enviados. O caso pode ser comunicado ao escritório envolvido, à Polícia Civil e à OAB. Se houver transferência por Pix, a vítima deve procurar o banco pelos canais oficiais e solicitar a análise para eventual devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento que não garante a recuperação do dinheiro.

Com informações do Rota Jurídica

Redação Extra News Goiás
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