Levantamento da Universidade de São Paulo projeta retração econômica no interior sem reajustes
© Lyon Santos/ MDS
Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), calcula que a ausência de ganhos reais em benefícios sociais e previdenciários reduziria a atividade econômica nas cidades do interior do Brasil.
A análise considera aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), que podem representar quase metade da renda das famílias mais pobres. Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil ficam fora das regiões metropolitanas, onde o peso dessas transferências chega ao dobro do observado nos grandes centros, segundo o levantamento.
Benefícios sustentam renda de famílias pobres
Simulações do estudo indicam que a falta de valorização real entre 2022 e 2025 teria levado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas à pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas. Desse total, 2,4 milhões teriam chegado à extrema pobreza.
As maiores elevações em números absolutos ocorreriam na Bahia, com até 336 mil pessoas a mais nessa condição; em São Paulo, com até 263 mil; e em Minas Gerais, com até 251 mil. Maranhão, Pará e Ceará teriam acréscimos superiores a 200 mil pessoas cada.
Para famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa, os benefícios podem corresponder a 50% do rendimento, conforme a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP. Ela afirmou: “Para quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza”.
O BPC é uma transferência destinada a pessoas que atendem aos critérios de proteção social previstos para esse benefício. Ele faz parte do conjunto de pagamentos analisado pelo estudo ao lado das aposentadorias e dos programas de transferência de renda.
Interior teria queda de até 10,8%
O levantamento projetou os efeitos econômicos da evolução desses pagamentos em um período de três anos. Para isso, comparou o crescimento real registrado entre 2022 e 2025 para aposentadorias e BPC com um cenário baseado nos reajustes praticados entre 2019 e 2022, sem ganhos reais do salário mínimo e com congelamento dos valores.
Nesse segundo cenário, a renda agregada dos municípios do interior ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar calculado com a valorização real dos benefícios. As maiores retrações apareceriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com quedas entre 17% e 18%.
Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas próximas de 15%. No Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia, a redução variaria de 10% a 13%. Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registrariam queda de até 6,5%.
Segundo Nassif, os pagamentos são gastos quase integralmente com itens de primeira necessidade e movimentam o comércio local. Ela avaliou: “Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”.
Créditos da imagem: © Lyon Santos/ MDS
Com informações da Agência Brasil
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