Agência Brasileira de Inteligência aponta risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras
As eleições brasileiras deste ano entraram no radar do órgão federal de inteligência, que apontou risco de interferência dos EUA no processo, segundo um relatório reservado.
A análise foi encaminhada no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Interferência dos EUA entra no relatório
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou a possibilidade de ação externa como um “nível de criticidade”. O documento também registra uma tendência de aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil e relaciona esse movimento à prioridade atribuída pelo segundo governo de Donald Trump à reafirmação da influência norte-americana na América Latina.
De acordo com o relatório, essa política busca afastar rivais dos Estados Unidos, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e estruturas de infraestrutura na região. A avaliação menciona que as ações norte-americanas contra o Brasil se intensificaram nos últimos meses, em áreas econômicas e políticas.
A Abin é responsável por produzir avaliações de inteligência para subsidiar decisões do Estado brasileiro. Um relatório reservado tem circulação limitada aos órgãos e autoridades que recebem o documento, como ocorreu com a análise enviada ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça.
O governo brasileiro tenta manter relações diplomáticas e comerciais com Washington, apesar das discordâncias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma resumir sua relação pessoal com Trump dizendo: “eu me dou muito bem com o Trump”.
Medidas ampliaram a tensão diplomática
Entre os episódios citados estão as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Em 30 de julho, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou o Brasil como uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA” e elevou a tarifa total para 50%. O governo norte-americano relacionou as medidas à atuação da Justiça brasileira sobre redes sociais, à condenação de Jair Bolsonaro e a outras divergências comerciais.
Em 4 de agosto, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Washington atribuiu a decisão à demora do Brasil para aprovar seu indicado à embaixada norte-americana. O governo brasileiro contestou a justificativa e afirmou que os Estados Unidos violaram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
Lula e Trump se reunirão novamente na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, na terça-feira (22). O presidente brasileiro abrirá o Debate Geral, seguido pelo discurso do presidente dos Estados Unidos. Não havia encontro bilateral programado entre os dois.
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