Uso de medicamento oferecido no SUS reduz casos de malária no Brasil

© Alex Pazuello/Secom

O Sistema Único de Saúde (SUS) consolidou a oferta de um novo medicamento que transformou o tratamento contra a malária no país. O Brasil se tornou o primeiro no mundo a incorporar a tafenoquina, utilizada em dose única desde 2024 para prevenir novas manifestações da doença e que tem sido fundamental para os resultados positivos registrados.

O medicamento tafenoquina foi incluído nos protocolos para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso a partir de 35 quilos em 2023. Com ação prolongada, a substância ajuda a evitar que a doença reapareça. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas receberam este tratamento, incluindo 3.920 indivíduos em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). Uma formulação para crianças a partir de 2 anos e 10 quilos também está disponível desde março de 2026, beneficiando 1.446 crianças e adolescentes até junho.

Pioneirismo no tratamento

A oferta da tafenoquina, combinada com a ampliação do diagnóstico, de testes e tratamento adequado, resultou em uma queda significativa nas estatísticas de malária. Em 2025, o número de óbitos pela doença reduziu 30%, passando de 56 em 2024 para 39. Os casos graves tiveram uma diminuição de 30,7% no mesmo período.

Os registros de malária contraída no território nacional somaram 118.037 em 2025, representando um recuo de 15% em relação a 2024. Este é o menor número de ocorrências desde 1978. Em Brasília, após participar de um congresso, o ministro da Saúde Alexandre Padilha, afirmou que o país atingiu “a menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história”.

Ações em terras indígenas

O impacto do novo tratamento e das medidas de controle foi notável em áreas vulneráveis. Em 2025, houve uma redução de mais de 40% nos casos de malária em terras indígenas, assentamentos rurais e na região amazônica, uma das áreas de maior incidência.

No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, 1.515 pessoas receberam a tafenoquina. Este território foi o pioneiro na aplicação do medicamento entre as áreas indígenas. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Os casos totais na região diminuíram 55% entre janeiro e julho do ano corrente e do anterior, passando de 17 mil para 7,6 mil. O ministro Padilha ressaltou que as ações combinadas contra a malária e a recuperação nutricional contribuíram para interromper o “verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami”, com quedas de mais de 50% nos casos e mais de 70% nos óbitos.

O papel dos DSEIs

Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) são unidades gestoras do Sistema Único de Saúde (SUS) criadas para organizar a atenção integral à saúde dos povos indígenas. Eles atuam em áreas geográficas contínuas, garantindo que as comunidades recebam desde a atenção primária até o acesso a serviços de média e alta complexidade. Equipes multidisciplinares levam atendimento diretamente às aldeias, realizando ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde adaptadas às culturas locais.

Alerta contra o sarampo

Além da malária, o Ministério da Saúde reforça a vacinação contra o sarampo em todo o Brasil. A medida se dá após a identificação de 38 casos importados da doença em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. O Brasil havia recuperado o certificado de país livre de sarampo em 2024 e, apesar dos casos importados, conseguiu mantê-lo em 2025 devido à alta cobertura vacinal. Em 2019, o país perdeu o certificado por falta de controle, com cidades como São Paulo registrando 20 mil casos. Atualmente, em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, a vacinação foi ampliada para pessoas de 6 meses a 59 anos. Os casos importados tinham cepas que circularam nos Estados Unidos e no Canadá, países que, junto com o México, são responsáveis por mais de 75% dos casos no continente americano desde 2025.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-08/uso-de-medicamento-oferecido-no-sus-reduz-casos-de-malaria-no-brasil

Redação Extra News Goiás
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