Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado usam marcas diferentes para disputar espaço na eleição de 2026

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As eleições de 2026 também estão sendo disputadas no campo da comunicação. Antes mesmo do início oficial da campanha, as identidades visuais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) apresentam estratégias distintas para fixar nomes, símbolos e posicionamentos na memória do eleitor.

A análise das marcas mostra que os três pré-candidatos trabalham com elementos reconhecíveis, mas partem de objetivos diferentes. Lula aposta na força de uma marca política consolidada; Flávio busca construir uma identidade própria a partir do sobrenome Bolsonaro; e Caiado tenta transformar o próprio nome em uma marca nacional, reduzindo a dependência de símbolos partidários.

Lula: preservar reconhecimento e ampliar a identificação nacional

A identidade de Lula mantém o vermelho como elemento dominante e preserva o peso visual do próprio nome. A leitura é imediata e facilita o reconhecimento por quem já conhece a trajetória do presidente.

Ao mesmo tempo, a inclusão de verde, amarelo e azul amplia a associação com a identidade brasileira. A estratégia ocorre em um contexto no qual o PT passou a disputar com a direita a utilização das cores e dos símbolos nacionais. Em maio deste ano, Lula defendeu publicamente que verde e amarelo não fossem associados exclusivamente a uma corrente política. 

Na comunicação visual, a escolha também aparece nas fotografias. O uso de terno, gravata, azul e branco, além de uma fotografia mais limpa, reduz a presença direta do vermelho partidário e contribui para uma imagem mais institucional.

Do ponto de vista de branding, a estratégia de Lula é menos sobre criar uma nova marca e mais sobre atualizar uma marca que já possui alto reconhecimento.

Flávio Bolsonaro: transformar o nome em assinatura

A identidade de Flávio Bolsonaro segue uma direção diferente. O primeiro nome aparece em uma tipografia manuscrita, criando uma percepção mais pessoal e menos institucional.

O principal elemento estratégico está na letra “V”, destacada pelas cores verde e amarelo. A escolha permite associações simultâneas com Flávio, vitória e símbolos nacionais.

A marca também estabelece uma conexão visual com Jair Bolsonaro. Segundo a análise apresentada pelo publicitário Paulo Ermeson, o desenho do “V” foi inspirado em uma letra manuscrita atribuída ao ex-presidente.

A escolha é relevante porque Flávio precisa equilibrar dois movimentos: herdar o reconhecimento da marca Bolsonaro e, ao mesmo tempo, construir uma identidade que possa ser associada diretamente a ele.

O verde e amarelo também aparecem com frequência na comunicação política de Flávio. Em 2025, o próprio governador Ronaldo Caiado já havia feito movimento semelhante ao adotar essas cores em suas redes sociais. 

Caiado aposta no próprio sobrenome e em uma identidade mais regional

A marca de Ronaldo Caiado apresenta uma estratégia diferente das duas anteriores. O elemento central é o próprio sobrenome, escrito em letras maiúsculas e amarelas sobre um fundo predominantemente azul.

O resultado é uma identidade de leitura rápida, com forte contraste e pouca dependência de elementos complexos. Para uma campanha que pretende levar um nome conhecido em Goiás para o cenário nacional, essa simplicidade pode ser uma vantagem.

Um dos detalhes mais importantes está justamente na construção da palavra “CAIADO”. A letra “A” recebe um tratamento gráfico diferente das demais, incorporando elementos que remetem visualmente ao universo nacional e institucional. Pequenos símbolos aparecem associados à composição, enquanto o azul funciona como base para destacar o amarelo.

A combinação também conversa com uma paleta já utilizada na comunicação política de Caiado. A mudança para verde e amarelo começou a aparecer de forma mais forte nas redes sociais depois do lançamento de sua pré-candidatura à Presidência. Antes disso, predominavam azul e branco e uma marca mais simples baseada apenas no nome. 

Do ponto de vista de marketing, a principal força da marca de Caiado está em transformar o sobrenome em ativo eleitoral. Não há excesso de informação: o eleitor vê “Caiado” e recebe imediatamente o nome que precisa memorizar.

Isso é especialmente importante para uma candidatura presidencial. Diferentemente de Lula e Bolsonaro, que carregam décadas de exposição nacional e marcas políticas extremamente conhecidas, Caiado precisa ampliar uma marca que possui forte associação regional, especialmente em Goiás.

A escolha do azul também ajuda a diferenciá-lo visualmente de uma comunicação integralmente baseada no verde e amarelo. Ao mesmo tempo, os elementos nacionais presentes na composição permitem que a marca não fique restrita à identidade de Goiás.

Três estratégias para três problemas diferentes

A comparação evidencia três caminhos de branding político.

Lula trabalha a manutenção de uma marca já consolidada e tenta ampliar sua associação com o Brasil para além do vermelho tradicional.

Flávio Bolsonaro procura transformar a herança política da família em uma marca pessoal, utilizando uma assinatura visual mais leve e um símbolo próprio.

Caiado, por sua vez, concentra a comunicação no próprio sobrenome e tenta fazer com que “Caiado” deixe de ser percebido apenas como um nome ligado à política goiana e passe a funcionar como uma marca presidencial.

A diferença é importante porque identidade visual política não serve apenas para deixar uma campanha mais bonita. Ela precisa resolver um problema de comunicação: ser reconhecida, diferenciada e lembrada em poucos segundos.

Nesse aspecto, a estratégia de Caiado é particularmente objetiva. O nome ocupa praticamente toda a marca, enquanto as cores e os elementos gráficos funcionam como apoio. É uma escolha coerente para quem precisa transformar reconhecimento regional em notoriedade nacional.

A disputa de 2026, portanto, não acontece apenas entre propostas e discursos. Ela também envolve uma batalha silenciosa pela memória do eleitor — e, antes mesmo de ouvir uma frase de cada candidato, muitas vezes é a cor, a fotografia, a tipografia ou simplesmente um sobrenome que determina quem será reconhecido primeiro.

Redação Extra News Goiás
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