Rio Verde se torna 2º maior PIB de Goiás com avanço do agronegócio

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1 de 1 Rio Verde registrou a temperatura mais baixa de Goiás nesta quinta-feira (25), de 12°C — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

O município de Rio Verde, no sudoeste goiano, ascendeu à posição de segunda maior economia de Goiás em 2023, superando Anápolis e Aparecida de Goiânia, impulsionado decisivamente pelo vigor do agronegócio. Os dados, compilados pelos mais recentes estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Mauro Borges (IMB), revelam que a capital, Goiânia, mantém a liderança no Produto Interno Bruto (PIB) estadual e figura como o 15º maior do país. Esta reconfiguração do PIB de Goiás demonstra uma dinâmica de crescimento que se projeta para os próximos anos, conforme análises de especialistas.

A Trajetória de Rio Verde e a Descentralização Econômica

A notável ascensão de Rio Verde representa uma mudança significativa no panorama econômico goiano. Sávio Oliveira, superintendente de Estudos e Projeções Macroeconômicas do IMB, ressaltou o desempenho do município: “Rio Verde passou muitos anos sendo a quarta ou quinta maior economia do estado. Em 2022, subiu para segunda e manteve em 2023. É um desempenho bastante impressionante, nada trivial”. Ele esclarece que essa alteração no ranking não se deve a um enfraquecimento das economias de Anápolis ou Aparecida de Goiânia, mas sim ao ritmo acelerado de crescimento de outras cidades. “Goiás vive uma transformação em que cadeias produtivas do agronegócio, cada vez mais industrializadas, passaram a gerar riqueza em outras regiões, reduzindo a concentração econômica que historicamente existia na capital e em poucos municípios”, afirmou Oliveira, destacando a importância da agropecuária na construção do PIB municipal de Goiás.

Panorama Geral do Produto Interno Bruto de Goiás em 2023

O estudo do IMB detalha que o Produto Interno Bruto de Goiás registrou um crescimento de 4,8% em volume no ano de 2023, atingindo o montante de R$ 336,7 bilhões. Com esse resultado, o estado mantém a nona posição no cenário nacional, contribuindo com 3,1% para o PIB brasileiro. A composição setorial da economia goiana evidenciou um aumento da participação dos serviços para 61,1% do Valor Adicionado. Embora a agropecuária tenha apresentado uma redução para 16,8%, esse movimento reflete principalmente a queda nos preços das commodities, apesar do robusto aumento na produção. A indústria, por sua vez, representou 22,1% da economia estadual.

Em termos de concentração, o levantamento apontou que os dez maiores municípios foram responsáveis por 54,6% do PIB estadual de Goiás, uma queda em relação aos 60,5% observados em 2010. Este dado é interpretado pelos analistas como um indicativo de um processo contínuo de desconcentração territorial da produção. Nacionalmente, Goiânia manteve-se como o 15º maior PIB do país, enquanto Rio Verde alcançou a 70ª posição. Aparecida de Goiânia (75ª) e Anápolis (79ª) também figuram entre os maiores. O PIB per capita do estado alcançou R$ 47,7 mil, com 94 municípios superando essa média. Goiás se destaca com quatro municípios entre os 100 maiores PIBs do Brasil e cinco entre os 100 maiores PIBs per capita.

O Eixo Agroindustrial e a Economia Goiana

A força do agronegócio é a principal alavanca para o crescimento econômico de Goiás, especialmente em Rio Verde. Sávio Oliveira explicou que o município desenvolveu uma cadeia do agronegócio profundamente integrada. “Não é apenas produção agrícola. Tem agroindústria, logística e serviços especializados ligados ao agro. Nos últimos anos, esse conjunto cresceu em um ritmo superior ao observado em outros grandes centros do estado, permitindo que Rio Verde se consolidasse como o segundo maior PIB de Goiás”, justificou. Segundo o especialista, a cidade está em uma rota de desenvolvimento favorável, graças ao seu setor agropecuário altamente competitivo.

Oliveira prevê que esses fatores continuarão impulsionando o desenvolvimento econômico de Goiás, em particular de Rio Verde, embora com ressalvas: “No entanto, essa tendência dependerá também de fatores como os preços das commodities e clima. Portanto, oscilações de curto prazo são normais para o setor. No longo prazo, a tendência é continuação do crescimento”.

A Transformação dos Setores: Indústria e Agropecuária

Entre 2010 e 2023, a participação da agropecuária no PIB de Goiás aumentou consideravelmente, passando de 11,1% para 16,8%. O setor de serviços também expandiu sua fatia, de 60,5% para 61,1%. A indústria, por outro lado, viu sua participação diminuir de 28,3% para 22,1% no mesmo período. Apesar dessa redução percentual, o superintendente do IMB esclareceu que isso não implica um mau desempenho do setor industrial.

“A indústria não encolheu em termos absolutos; pelo contrário, ela continuou crescendo ao longo do período. O que ocorreu foi uma perda de participação relativa, porque a agropecuária cresceu em ritmo ainda mais acelerado, ampliando seu peso na economia goiana”, detalhou Sávio Oliveira. Ele acrescentou que essa dinâmica explica a aparente contradição de ver grandes PIBs municipais ainda concentrados em polos industriais, ao mesmo tempo em que municípios com forte base agropecuária ganham destaque. “Rio Verde é o melhor exemplo disso”, enfatizou o especialista sobre a economia goiana.

A análise dos estudos confirma que os municípios de grande porte continuam concentrando a maior parte da atividade econômica, uma vez que reúnem população, infraestrutura, serviços e mercados consumidores. Contudo, a tendência de desconcentração persiste: “No entanto, quando analisamos a concentração entre os maiores polos econômicos, observamos uma tendência de desconcentração: a participação dos dez maiores PIBs municipais caiu de 60,5% em 2010 para 54,6% em 2023. Isso indica que o crescimento vem sendo compartilhado por um número maior de municípios”, concluiu o superintendente.

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