Juros altos travam indústria, que cresce 0,6% em 2025 após desaceleração

CCJ do Senado aprova fim da escala 6x1 e prevê jornada de 36h semanais

© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução

A indústria brasileira encerrou 2025 com um crescimento de 0,6%, impulsionada pela pressão dos juros altos que frearam o ritmo de produção nos últimos meses. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Industrial Mensal.

O resultado positivo marca o terceiro ano consecutivo de expansão, após avanços de 3,1% em 2024 e 0,1% em 2023. A desaceleração no segundo semestre de 2025 é notável, com um crescimento acumulado de 1,2% até junho, seguido por uma variação nula nos seis meses seguintes e um recuo de 1,9% de setembro a dezembro. Em dezembro, a produção industrial caiu 1,2%, o pior desempenho desde julho de 2024.

Apesar do crescimento, a indústria opera com um patamar 0,6% acima do período pré-pandemia e 16,3% abaixo do pico alcançado em maio de 2011.

Em 2025, duas das quatro grandes categorias econômicas apresentaram crescimento: bens de consumo duráveis (2,5%) e bens intermediários (1,5%). Houve retração em bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de capital (-1,5%). Das 25 atividades pesquisadas, 15 registraram avanço, com destaque para indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%).

De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, a política monetária restritiva, com juros elevados, é a principal causa da desaceleração. “Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, analisa. Ele explica que a alta taxa Selic leva ao adiamento de investimentos empresariais e impacta o consumo familiar, além de elevar os níveis de inadimplência.

Um exemplo desse cenário é a produção de veículos automotores, que teve queda de 8,7% em dezembro, influenciada por paralisações e férias coletivas nas fábricas.

Diante da crescente inflação, o Banco Central elevou a Selic de 10,5% para 15% ao ano até junho de 2025. A meta de inflação do governo é de 3%, com tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos. Apesar da pressão restritiva dos juros, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, conforme o IBGE.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/industria-fecha-2025-com-alta-de-06-pressionada-pelos-juros-altos

What do you feel about this?