Raio-X do Tráfico: Baixa Escolaridade e Arrependimento Dominam Realidade nas Favelas

Metade dos envolvidos com tráfico de drogas não chega ao ensino médio

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um estudo recente revelou um panorama preocupante sobre a escolaridade de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no Brasil. A pesquisa “Raio-X da Vida Real”, conduzida pelo Instituto Data Favela e Cufa, entrevistou quase 4 mil indivíduos em favelas de 23 estados, incluindo Goiás, entre agosto e setembro de 2025. Os dados mostram que apenas 22% dos entrevistados concluíram o ensino médio, enquanto a maioria (mais da metade) interrompeu os estudos antes dessa etapa.

A pesquisa também investigou as aspirações e os desafios enfrentados por essa população. Ao serem questionados sobre o que fariam diferente em suas vidas, 41% afirmaram que gostariam de ter estudado mais. Essa percepção é reforçada pela declaração de Marcus Vinícius Athaye, copresidente do Data Favela e presidente da Cufa Global: “Além da importância da renda e de programas de empregabilidade dessas pessoas, elas reconhecem que o estudo teria sido o fator de mudança na sua vida. Elas teriam estudado mais e se formado no seu passado”.

Entre os entrevistados, o curso de Direito era o mais desejado (18%), seguido por Administração (13%), Medicina/Enfermagem (11%) e Engenharia/Arquitetura (11%). A pesquisa aponta que a falta de acesso à educação e a oportunidades de trabalho de qualidade contribuem para que a maioria não consiga ganhar mais de dois salários mínimos mensais.

O estudo também abordou a estrutura familiar e os sonhos de consumo dos entrevistados. A maioria foi criada em famílias tradicionais (35%) ou monoparentais lideradas por mães (38%). A mãe é apontada como a pessoa mais importante para 43% dos entrevistados. O sonho de ter uma casa própria foi citado por 28% como o maior objetivo de consumo. Cléo Santana, CEO do Data Favela, ressaltou que “O sonho da casa própria, o desejo de ter onde se instalar e para onde voltar, também é o principal sonho das pessoas que estão em situação de crime”.

A pesquisa também revelou altos índices de problemas de saúde mental, como insônia (39%), ansiedade (33%) e depressão (19%). A coordenadora de pesquisas do Data Favela, Bruna Hasclepildes, enfatizou que a vida no crime é um reflexo da ausência de políticas públicas e das desigualdades que afetam as favelas há décadas. Diante da pergunta “Você sente orgulho do que faz?”, 68% responderam negativamente. Segundo Bruna, “É para desbancar mais uma vez o imaginário [de que gostam de se envolver com o crime]. Eles não sentem orgulho algum do que fazem. Essas pessoas não entram para este contexto porque querem, mas por necessidade”.

Ao serem questionados sobre os principais problemas do Brasil, os entrevistados apontaram a pobreza e as desigualdades (42%), a corrupção (33%) e a violência (11%). O estudo revela a complexa realidade enfrentada por indivíduos envolvidos com o tráfico de drogas e a necessidade urgente de políticas públicas que promovam a educação, a saúde mental e a igualdade de oportunidades.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-11/metade-dos-envolvidos-com-trafico-de-drogas-nao-chega-ao-ensino-medio

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