Planos econômicos de Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre contas públicas e atuação estatal
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
As propostas econômicas de Lula e Flávio Bolsonaro partem de estratégias diferentes para administrar as contas públicas, definir impostos e regular as relações de trabalho. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade do modelo atual, com investimentos públicos, programas sociais e valorização da renda, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) propõe reduzir despesas, a estrutura estatal, tributos e encargos.
As duas campanhas reconhecem a necessidade de conter o avanço da dívida pública. A divergência está nos meios para equilibrar o orçamento e estimular a atividade econômica.
Trabalho e programas sociais
Na área trabalhista, Lula propõe valorização real do salário mínimo e jornada semanal de 40 horas, sem redução salarial. O plano também prevê a manutenção de direitos trabalhistas e a ampliação da proteção social.
Flávio defende a redução dos custos de contratação e mudanças em modalidades específicas de trabalho. Segundo a proposta, a flexibilização buscaria estimular o emprego, mas os efeitos sobre salários, formalização e despesas das empresas dependeriam da aplicação das medidas.
Os dois programas também preveem a continuidade de políticas sociais. Lula cita Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e ações de combate à fome. A equipe de Flávio mencionou Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular, mas o financiamento dessas iniciativas dependeria da compatibilidade com as metas de ajuste fiscal.
No dia 9, Flávio negou que acabará com o Bolsa Família e o Farmácia Popular. Em agosto, Daniella Marques, coordenadora da equipe econômica do candidato, afirmou em entrevista à Globo News que o plano prevê alterações nas regras fiscais e um ajuste de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em cerca de R$ 190 bilhões com base no PIB de 2025.
Propostas econômicas e arrecadação
Lula pretende manter o arcabouço fiscal, buscar aumento da arrecadação e estimular o crescimento. A agenda inclui investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação, energia renovável, Novo PAC e incentivos à indústria nacional.
Flávio propõe uma regra fiscal ligada à trajetória da dívida, cortes em despesas administrativas, mudanças na estrutura ministerial e redução de cargos comissionados. O plano também prevê simplificação regulatória, diminuição de impostos e medidas para o agronegócio, como melhorias logísticas, mais armazenamento, seguro rural e incentivo à produção nacional de fertilizantes.
O arcabouço fiscal é uma regra usada para estabelecer limites para o crescimento das despesas públicas. Ele orienta a elaboração e a execução do orçamento, enquanto o governo acompanha arrecadação, gastos e evolução da dívida.
Na tributação, Lula defende que as rendas mais altas contribuam proporcionalmente mais para financiar o Estado. Flávio prioriza impostos menores, custos reduzidos para empresas e desburocratização. A proposta lulista dependeria de crescimento, arrecadação e controle de gastos; a de Flávio, de cortes capazes de compensar parte da perda de receitas.
Entre 2023 e 2025, o PIB cresceu, em média, cerca de 2,9% ao ano, segundo os dados revisados citados no texto. De 2019 a 2022, a média foi de aproximadamente 1,4%. A dívida bruta chegou a cerca de 72% do PIB ao fim de 2022 e alcançou 82,9% em agosto.
Créditos da imagem: © Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Com informações da Agência Brasil
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