Nações Unidas alertam para pressão sobre água e clima na Ásia Central e países insulares
© UNCCD/Kiara Worth
A pressão sobre recursos hídricos, o solo e o clima aparece como sem precedentes em dois relatórios divulgados pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) em 26. Os documentos analisam os pequenos países insulares em desenvolvimento e a Ásia Central.
As publicações foram apresentadas na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Mais de 50 países e territórios estão incluídos nos diagnósticos.
Pressão sobre recursos hídricos afeta ilhas
Os pequenos países insulares em desenvolvimento reúnem 39 países e 18 territórios no Caribe, nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico e no Mar do Sul da China. Cerca de 18,8 milhões de hectares, equivalentes a 16,5% da área total combinada, apresentam algum grau de degradação.
Mais de 70% desses países enfrentam escassez de água, enquanto a seca atinge 43% da área total. Dentro desse território, 3% passaram por seca severa e 6% por seca extrema. A área afetada pela seca extrema cresceu 30% na comparação entre os períodos de 1961/1970 e 2014/2023.
O relatório estima que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave. Desse grupo, 11,5 milhões estão subnutridas. Os países recebem cerca de US$ 2 bilhões por ano em financiamento público para adaptação, mas a necessidade anual calculada chega a pelo menos US$ 11,7 bilhões.
A Ásia Central perde áreas degradadas
Formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, a Ásia Central já tem mais de 80 milhões de hectares degradados. O número corresponde a mais de um quarto da área da região e afeta 30% da população, ou 24 milhões de pessoas.
A degradação do solo provoca perdas estimadas entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões por ano, segundo a UNCCD. A região também registra aquecimento duas vezes superior à média global, e as geleiras diminuíram 30% em cinquenta anos.
Os dois documentos integram o Global Land Outlook (GLO), publicação da convenção das Nações Unidas sobre a terra. O GLO reúne análises sobre degradação do solo, água, clima e segurança alimentar, além de relatórios regionais. As versões gerais foram lançadas em 2017 e 2022.
A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, afirmou que as diferenças entre os territórios não impedem a adoção de medidas de recuperação. Durante a apresentação, ela disse: “ A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra”. Yasmine também defendeu cooperação regional e internacional e a inclusão de pessoas e ecossistemas nas decisões de desenvolvimento.
Créditos da imagem: © UNCCD/Kiara Worth
Com informações da Agência Brasil
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