Argentina x Inglaterra: rivalidade de Copas e Malvinas antes da semi da Copa 2026
© REUTERS/POOL/Ted Blackbrow/proibida reprodução
O reencontro entre Argentina e Inglaterra, marcado para a próxima quarta-feira (15) em Atlanta, Estados Unidos, transcende a simples disputa por uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026. Este confronto entre duas potências do futebol mundial carrega um intrincado mosaico de tensões históricas, desde campos de batalha até gramados lendários, consolidando uma das rivalidades mais singulares e intensas do esporte. Para ambos os lados, o sabor de uma vitória neste embate pela semifinal terá uma dimensão muito além do futebolístico.
Uma Rivalidade que Atravessa Décadas e Conflitos
A história dos duelos entre a seleção argentina e a inglesa é um enredo complexo que remonta a várias décadas, pontuada por momentos épicos e dramáticos que moldaram a percepção mútua. A singularidade dessa rivalidade se manifesta não apenas nos cinco confrontos em Mundiais, mas também em um capítulo bélico que deixou marcas profundas na memória de ambas as nações.
O Impacto da Guerra das Malvinas no Espírito Esportivo
No cenário dessa intensa rivalidade futebolística, a Guerra das Malvinas emerge como um divisor de águas. Entre abril e junho de 1982, o conflito pelo domínio das Ilhas Malvinas, localizadas no Oceano Atlântico e próximas à costa argentina, colocou os dois países em lados opostos. As ilhas, tomadas pelos ingleses em 1833, foram reivindicadas pela ditadura militar argentina, então sob o comando do general Leopoldo Galtieri, em embate com o governo da primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher. A guerra foi vencida pelos ingleses, com um triste saldo de 904 mortos, sendo a maioria (649) argentinos. Este episódio cimentou uma camada adicional de emoção e significado em cada partida entre as seleções.
Capítulos Memoráveis da Seleção Argentina e Inglesa em Copas
Os palcos das Copas do Mundo testemunharam cinco encontros inesquecíveis entre Argentina e Inglaterra, cada um contribuindo para a construção dessa emblemática rivalidade.
A mais célebre dessas batalhas aconteceu nas quartas de final da Copa de 1986, no México. A Argentina superou a Inglaterra por 2 a 1, em uma partida eternizada pelos dois gols de Diego Maradona. O primeiro, a famosa “Mão de Deus”, foi marcado com a mão esquerda do camisa 10 argentino, sem a percepção da arbitragem, após uma dividida com o goleiro Peter Shilton. Pouco depois, Maradona realizou uma obra-prima ao driblar metade do time inglês em uma arrancada impressionante, culminando em um golaço que, em votação da Fifa em 2002, foi eleito o melhor gol das Copas. Aquele triunfo impulsionou a Argentina ao bicampeonato mundial.
Anteriormente, em 1966, na Copa sediada pela Inglaterra, um confronto nas quartas de final, vencido pelos anfitriões por 1 a 0, gerou uma das mudanças mais significativas no futebol. O capitão argentino Antonio Rattín foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein, que se sentiu intimidado pelos protestos do jogador. A barreira linguística impediu que Rattín compreendesse a ordem, e ele só deixou o campo com intervenção policial. O incidente levou à criação dos cartões amarelo e vermelho, adotados na Copa de 1970. Rattín, coincidentemente, faleceu no último sábado (11), aos 89 anos, e foi homenageado com uma faixa de luto pela seleção argentina na partida que garantiu a classificação para as semifinais de 2026 contra a Suíça. A Inglaterra, por sua vez, conquistou seu único título mundial naquela edição.
Em 1998, na França, as oitavas de final apresentaram mais um confronto eletrizante. Após um empate em 2 a 2 no tempo normal, a Argentina avançou nos pênaltis. O segundo gol inglês, de Michael Owen, ficou em segundo lugar na mesma votação de 2002 que consagrou o gol de Maradona. Os hermanos jogaram grande parte do duelo com um homem a mais, após a expulsão do astro inglês David Beckham, que se envolveu em uma confusão com Diego Simeone. Beckham, então uma estrela em ascensão, foi amplamente apontado como o responsável pela eliminação inglesa. A Argentina foi eliminada nas quartas pela Holanda.
O último encontro em Copas ocorreu em 2002, no Japão e na Coreia do Sul, na fase de grupos. Em um desfecho digno de roteiro cinematográfico, a Inglaterra venceu por 1 a 0, com um gol de pênalti convertido justamente por David Beckham. A Argentina, favorita ao título, foi surpreendentemente eliminada, enquanto a Inglaterra avançou até as quartas, onde perdeu para o Brasil, pentacampeão.
Em 1962, no Chile, o primeiro confronto em Mundiais viu a Inglaterra bater a Argentina por 3 a 1 na fase de grupos, eliminando os sul-americanos. A seleção inglesa, por sua vez, foi eliminada pelo Brasil nas quartas daquele torneio.
Messi e a Conexão Atual com o Futebol Inglês
O mais recente embate entre as seleções argentina e inglesa foi um amistoso em 2005, com vitória da Inglaterra por 3 a 2. Curiosamente, o craque Lionel Messi, que na ocasião era um jovem de 18 anos, nunca enfrentou a seleção inglesa em toda a sua carreira pela equipe nacional. A Inglaterra é a única das seleções campeãs mundiais que nunca cruzou o caminho do camisa 10 argentino.
No entanto, a relação entre o futebol argentino e o inglês é mais próxima do que nunca. Atualmente, cinco titulares da seleção argentina atuam em clubes da Inglaterra, na Premier League, considerada a melhor liga nacional do futebol mundial: o goleiro Emiliano Martínez defende o Aston Villa; os zagueiros Lisandro Martínez (Manchester United) e Cuti Romero (Tottenham); e os meio-campistas Enzo Fernández (Chelsea) e Alexis Mac Allister (Liverpool). Essa forte presença reforça as camadas de familiaridade e conhecimento mútuo que prometem tornar a semifinal da Copa do Mundo de 2026 um capítulo ainda mais emocionante nesta lendária rivalidade.
Fonte e Fotos: Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2026-07/rivalidade-entre-argentina-e-inlaterra-extrapola-as-quatro-linhas

