Banco Central corta Selic para 14,5% pela 2ª vez seguida no Brasil

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© Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil implementou, por unanimidade, o segundo corte consecutivo na taxa Selic, os juros básicos da economia, fixando-a em 14,5% ao ano. A decisão representa uma redução de 0,25 ponto percentual e foi amplamente aguardada pelo mercado financeiro, ocorrendo em um momento de crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, que injetam complexidade na política monetária nacional.

### Recuo da Taxa Selic em Cenário Geopolítico Aflito

A medida adotada pelo Copom marca uma inflexão na trajetória dos juros, que, entre junho de 2025 e março deste ano, permaneceram em um patamar de 15% anuais, o mais elevado em quase duas décadas. A primeira redução da taxa Selic havia sido motivada por um cenário de desaceleração da inflação. No entanto, a eclosão e a potencial escalada do conflito no Oriente Médio introduziram novos desafios, gerando impactos diretos nos preços de commodities, especialmente combustíveis e alimentos, complicando a gestão da política monetária e a sustentabilidade do corte de juros.

### Desfalques na Composição do Copom

A delicada conjuntura em que o Banco Central opera é agravada por lacunas em sua composição diretora. O Copom tem operado com membros a menos devido à expiração dos mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, diretor de Política Econômica, no fim de 2025. Até o momento, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para preencher essas posições estratégicas. Adicionalmente, um novo desfalque foi registrado para a reunião deste mês, com a ausência do diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, que, conforme comunicado do Banco Central na terça-feira (28), se afastou em razão do falecimento de um familiar de primeiro grau.

### O Alerta do Copom e a Incerteza Inflacionária

Em seu comunicado oficial, o Comitê de Política Monetária manteve a discrição sobre as futuras direções da taxa de juros, indicando um acompanhamento atento da evolução do conflito no Oriente Médio e suas reverberações sobre a inflação. O teor da nota sublinhou a preocupação com o cenário internacional:

“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados.”

### O Combate à Inflação e a Meta Contínua

A taxa Selic constitui o principal instrumento do Banco Central para assegurar o controle da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Recentemente, a prévia do IPCA-15 registrou uma aceleração para 0,89% em abril. No acumulado de doze meses, o índice atingiu 4,37%, um aumento em relação aos 3,9% apurados em março. O IPCA consolidado de abril está programado para ser divulgado em 12 de maio.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota um novo sistema de meta contínua para a inflação. Conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, resultando em limites de 1,5% a 4,5%. Nesse modelo, a apuração é realizada mensalmente, comparando a inflação acumulada nos 12 meses anteriores com a meta e seus limites de tolerância, movendo-se ao longo do tempo e não mais se restringindo ao fechamento de dezembro.

### Projeções de Mercado e do Banco Central

No último Relatório de Política Monetária, divulgado pelo Banco Central no final de março, a previsão para o IPCA em 2026 foi ajustada para cima, de 3,5% para 3,6%. Contudo, a autoridade monetária já sinalizou que esta estimativa será revista em virtude da dinâmica do dólar e do comportamento inflacionário. A próxima edição do documento será publicada no fim de junho.

As expectativas do mercado financeiro mostram-se mais pessimistas. Segundo o boletim Focus, uma pesquisa semanal com instituições financeiras do BC, a inflação oficial é projetada para encerrar o ano em 4,86%, um patamar que excede o teto da meta (4,5%). Antes da deflagração do conflito no Oriente Médio, as projeções indicavam 3,95%. Em relação ao crescimento econômico, o Banco Central manteve sua previsão de 1,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O mercado, por sua vez, projeta uma expansão ligeiramente superior, de 1,85% para o PIB no mesmo período, conforme o boletim Focus.

### O Impacto da Selic na Economia e no Crédito

A redução da taxa Selic é tradicionalmente vista como um estímulo à economia, pois barateia o custo do crédito e, consequentemente, incentiva tanto a produção quanto o consumo. Em contrapartida, taxas de juros mais baixas representam um desafio maior para o controle da inflação. O último Relatório de Política Monetária do Banco Central confirmou a manutenção da projeção de crescimento de 1,6% para a economia em 2026.

A taxa básica de juros serve como referência para todas as demais taxas de juros praticadas na economia e é utilizada nas transações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Quando o Banco Central eleva a Selic, ele busca frear o excesso de demanda que pressiona os preços, tornando o crédito mais caro e incentivando a poupança. Por outro lado, a decisão de reduzir os juros básicos, ao tornar o crédito mais acessível, visa estimular a atividade econômica, mas exige que a autoridade monetária tenha confiança plena de que os preços estão sob controle e que não há risco iminente de elevação descontrolada da inflação.

Fonte e Fotos: Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano

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