Vigilância de Goiânia orienta prevenção após identificar barbeiros que podem transmitir Chagas
Em caso de surgimento do inseto, a Diretoria de Vigilância em Zoonoses deve ser acionada para fazer a investigação do caso
A presença de barbeiros em Goiânia levou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a orientar os moradores sobre como reconhecer e manusear o inseto com segurança. O barbeiro, também chamado de triatomíneo, pode carregar o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas.
Entre janeiro e setembro de 2026, a Diretoria de Vigilância em Zoonoses identificou 29 insetos na capital. O número representa aumento de mais de 100% em relação ao mesmo período de 2025. Em todo o ano passado, foram encontrados 20 barbeiros.
Em abril, um dos insetos recolhidos em Goiânia apresentou infecção natural pelo T. cruzi em análise feita pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO). A descoberta não significa que moradores da região tenham contraído a doença.
Cuidados para evitar barbeiros em Goiânia
Quem encontrar um possível barbeiro não deve esmagá-lo nem matá-lo. A orientação é proteger as mãos com saco plástico ou outro material, colocar o inseto em um recipiente com tampa e acionar a Diretoria de Vigilância em Zoonoses pelo telefone (62) 99152-2545.
A equipe faz a identificação, recolhe o material e verifica a área onde o inseto apareceu. Quando as condições permitem, também é realizado exame para detectar a presença do T. cruzi. Em caso de possível picada, contato com o barbeiro ou dúvida sobre a doença em pessoas, o telefone da Diretoria de Vigilância Epidemiológica é 3030-2534.
A prevenção inclui manter quintais sem entulho, madeira acumulada e outros abrigos; deixar galinheiros, currais e criações afastados da casa; instalar telas ou vedação nas portas; e manter janelas fechadas à noite quando possível. Mosquiteiros e repelentes podem ser usados. A aplicação de inseticidas deve ocorrer em situações específicas e com orientação da vigilância.
Segundo o médico veterinário Bruno Sérgio, alterações no ambiente podem aproximar os insetos das residências. Ele afirmou: “A expansão urbana pode provocar desmatamento, derrubar árvores que servem de abrigo e reduzir as fontes de alimentação desses insetos.”
A doença pode ter fases diferentes
A transmissão pelo barbeiro ocorre principalmente quando fezes de um inseto infectado entram em contato com pele lesionada ou mucosas, como olhos e boca. Também existem as formas oral, por alimentos contaminados, da gestante para o bebê e, com menor frequência, por transfusão de sangue ou transplante de órgãos.
Goiânia registrou 255 casos crônicos em 2025 e 362 em 2026. Os óbitos associados à forma crônica somaram seis registros em 2025 e três em 2026. Esses dados não permitem afirmar que a infecção ocorreu na capital, porque a fase crônica pode ser diagnosticada muitos anos ou décadas depois.
Na fase aguda, podem surgir febre prolongada, mal-estar, dor de cabeça e inchaço, embora também não haja sintomas. A forma crônica pode durar muitos anos e causar complicações cardíacas e digestivas. A confirmação depende de dois exames com metodologias diferentes, segundo Jennifer Caetano, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Transmissíveis da SMS.
Créditos da imagem: Prefeitura de Goiânia
Com informações da Prefeitura de Goiânia
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