Bolsonaro afirma ser vítima de sérias acusações sem fundamento e renova críticas às urnas eletrônicas.

Bolsonaro também contestou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que o acusou de ter convocado comandantes das Forças Armadas para discutir uma possível ruptura democrática com a decretação de estado de sítio. Ele afirmou que um golpe nunca poderia ocorrer através de um mecanismo constitucional. “Nem atos preparatórios houveram para isso, se é que para você trabalhar com dispositivo constitucional é sinal de golpe. Golpe não tem lei, não tem norma. Golpe tem conspiração com a imprensa, o parlamento, setores do poder Judiciário, setores da economia, fora do Brasil. Forças Armadas em primeiro lugar, sociedade, empresários, agricultores. Aí você começa a gestar um hipotético golpe, nada disso houve”, disse Bolsonaro.
O ex-presidente reiterou suas alegações, sem apresentar evidências, sobre fraudes no sistema eleitoral brasileiro. “Eu não sou obrigado a acreditar e confiar em um programador”, afirmou. Ele também criticou Moraes, afirmando que ele “bota o que quer” nos processos judiciais que são relatados: “Por isso os seus inquéritos são secretos ou confidenciais”. Por unanimidade, os cinco ministros da Primeira Turma do STF tornaram Bolsonaro e outros sete aliados réus por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, seguindo o voto do relator Alexandre de Moraes, que aceitou, integralmente, a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Com essa decisão, o ex-presidente e os outros denunciados tornam-se réus em um processo penal envolvendo cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do estado democrático, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado ao patrimônio da União. As penas, se condenados, podem chegar a 43 anos de prisão. Além de Bolsonaro, também enfrentarão o processo: Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha) e Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro). (Agência Estado)