Retratos da Pandemia em Goiânia

Durante esse período de isolamento, muito em nossa sociedade tem sido transformado. Uma doença de escala global assola a humanidade e nos obriga a transformar o olhar sobre a vida. Desde questões mais banais como um aperto de mão, á questões mais complexas como manter renda da família, enfrentamos desafios para os quais não tivemos tempo nem preparo, o problema apenas surgiu sem anúncios prévios.
Fotógrafo independente, Jucimar de Sousa trabalha na linha de fotografia autoral, fotografia de rua, fotojornalismo e Documental. Diante deste novo cenário social, o fotógrafo foi às ruas da Cidade Goiânia para capturar retratos da urbe transformada pelo coronavírus.
Mais do que uma expressão artística, as fotos capturam recortes de um momento histórico que marca a passagem humana, com transformações, perdas, solidariedade, reclusão e um contínuo sentimento de espera.
A cidade, agora mais silenciosa, guarda dentro das casas a vontade latente para a retomada de uma situação normal, que antes talvez fosse apenas um cenário de caos já conhecido. Aqueles que não podem aguardar, desbravam com máscaras , luvas, água e sabão o mundo externo, que a todo momento anuncia a espreita de um perigo invisível aos olhos.
Para aqueles com fé, este é o período da páscoa, que em seu cerne epistemológico carrega o sentido de passagem. Sendo assim, os cristãos passam, por um período de transformação, nãos só na forma de seus cultos e celebrações, mas também na forma como se voltam para perceber o próximo.
Esse período tem levantado muitos questionamentos, têm colocado muitos esforços sobre vertentes da sociedade, como a saúde, o trabalho e desigualdade entre as classes, que há muito tempo já precisavam ser repensados. Infelizmente a mudança veio por meio de uma tragédia, mas ainda sim se fez mudança. Não sabemos ao certo onde esta “passagem” está nos levando, mas há apenas a certeza de que nunca mais voltaremos ao estado em que um dia estivemos.
Fotos: Lucimar de Sousa
Redação: Gabriel Viana